Não é à toa que mais da metade dos alunos do 1º ano do ensino médio da rede pública estadual acertou menos de 50% da prova do Paebesnn. No quesito domínio dos conteúdos e habilidades em leitura, eles vão de mau a pior - apontam os resultados da avaliação.

Saber identificar a tese e o tema de um texto, os efeitos de ironia e o sentido de uma palavra ou expressão é coisa que apenas cerca de 45% dos alunos são capazes de fazer. A maior facilidade que eles apresentam está na localização de informações explícitas de um texto: 61% tem este domínio.

Os dados foram mapeados pela Secretaria Estadual de Educação (Sedu) a partir da resposta dos alunos às questões ? elaboradas de acordo com as habilidades exigidas para a série. O levantamento revela, ainda, que em 58% dos casos os alunos não são capazes de reconhecer o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação.

Além disso, apenas 51% dos alunos conseguem reconhecer posições distintas entre duas ou mais opiniões relativas ao mesmo tema. Propostas "Esses dados reforçam que os alunos têm dificuldade na leitura, e precisamos mudar isso. A proposta do Estado é começar atraindo os estudantes com textos que são da preferência deles, para depois aprofundar mais e melhor", defende o secretário estadual de Educação, Haroldo Corrêa Rocha. Para a professora de Pós-Graduação em Educação da Ufes, Cleonara Schwartz, as escolas devem estar atentas às práticas de leitura dos alunos para saber de que forma incentivar esse prazer tão necessário. "Os adolescentes leem, e leem muito.

O problema está na escola, que ainda não sabe oferecer uma leitura diferenciada dos textos aos alunos e fazê-los dialogar com questões atuais. É preciso oferecer algo além daquilo que está escrito". Escolas do interior voltam a superar as da Grande Vitória Mais um exame aponta: alunos da rede pública estadual do interior do Estado conseguem notas melhores dos que os da Região Metropolitana. Com destaque para as cidades da região serrana, como Afonso Cláudio, Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante.

Essas instituições também se destacara, assim como no Paebes, nas provas aplicadas pelo governo federal, principalmente no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). "Acredito que seja por conta da proximidade que essas escolas mantém com a comunidade e as famílias dos alunos", revela o secretário estadual de Educação, Haroldo Corrêa Rocha. A Superintendência Regional de Educação (SRE) de Afonso Cláudio, que contempla sete municípios, conseguiu um percentual menor de notas baixas. "Prefiro não comemorar ainda porque sei que essas notas serão melhoradas", diz a superintendente Normi Kesler Fitaroni. Em língua portuguesa, 41% dos alunos tiraram notas abaixo do recomendado, enquanto a média estadual foi de 53%.

Na prova de matemática o percentual caiu para 29%, contra 48% do Estado. "A educação é melhor valorizada nesses espaços, além de alunos de diferentes classes sociais optarem pelo modelo público de ensino", pondera o secretário estadual. Barra de São Francisco é a única região do interior entre as que atingiram as piores médias, junto com as escolas das regiões de Carapina, Vila Velha e Cariacica, todas da Grande Vitória.

Alunos pedem qualidade na sala Alunos do primeiro ano do ensino médio da rede pública estadual querem professores mais bem qualificados. Um questionário aplicado aos estudantes, no ano passado, durante a prova do Paebes, mostra quais os cinco fatores mais importantes, na visão dos estudantes, para melhorar a educação. Além da formação do professor, eles defendem que o aluno, na sequência, deve ter mais motivação para leitura, realizar as tarefas de casa, envolver a família na escola e sentir-se satisfeito na instituição em que estuda.

Para o Sindicato dos Professores da Rede Pública (Sindiupes), é necessário investir numa formação continuada do professor e de qualidade. Mas outras situações também precisam ser mudadas. "Enquanto houver muitos professores temporários na rede, uma infraestrutura precária e com poucas opções de material didático, além da má valorização do profissional, fica difícil mudar essa realidade", avalia o diretor de comunicação do sindicato, Swami Cordeiro Bérgamo.

Ele avalia, ainda, que algumas instituições tem um número pequeno de professores, o que acarreta sobrecarga, e questiona o projeto Mais tempo na Escola, defendendo uma gestão mais democrática. "Precisamos de eleição direta para diretores e coordenadores, o que não acontece há dez anos. Vamos realizar um plebiscito com a população sobre isso, ainda neste ano", afirma o diretor.

Ao contrário da maioria, elas têm paixão pela literatura Aplicadas aos estudos e apaixonadas por literatura, as alunas do 1º ano do ensino médio Renata de Castro Vieira, Emilly da Fonseca Reis e Amanda Brandemburg, todas com 14 anos, leem, em média, um livro por mês. Elas contam por que boa parte dos seus colegas rejeitam tanto o que para elas é um prazer. "Ler parece que dá trabalho. É visto como uma coisa chata, que toma tempo. Hoje, todo mundo é tão impaciente que não quer gastar horas fazendo uma coisa só. Por isso, quando uma questão tem enunciado grande, a maior parte dos alunos lê só o que é pedido no final", explica Renata.

Segundo elas, o reflexo da indisposição e do desinteresse pela leitura acaba aparecendo no resultado das provas e na própria sala de aula. "Temos vários colegas que, quando o professor pede para ler em voz alta, não consegue interpretar, além de ignorar completamente as vírgulas e pontos", diz Emilly. "O interesse do aluno só aparece quando ele percebe que pode relacionar o assunto com a sua realidade ou com temas atuais.

Sem isso, fica difícil ter? paciência para a leitura", completa Amanda. Texto fica mais fácil se tiver imagens A interpretação de textos com a ajuda de material gráfico (fotografia, quadrinhos, etc) é uma habilidade encontrada em 57% dos alunos avaliados pelo Paebes. O resultado, apesar de baixo, revela uma característica desses estudantes: a maior facilidade para lidar com imagens e outros elementos visuais. Para a coordenadora pedagógica do ensino fundamental da escola Primeiro Mundo, Olga Maria Weiner, essa é uma característica das novas gerações.

"O mundo hoje é imagético, e as pessoas são imediatistas. O que os alunos querem é encontrar pela frente textos de rápida leitura. E a imagem atende muito bem a esse anseio, porque ela encurta o caminho
da leitura", diz. Segundo Olga, esses alunos podem estar perdendo na compreensão dos textos, mas estão desenvolvendo outras competências, como a capacidade de realizar várias tarefas ao mesmo tempo e de procurar um diálogo possível entre os textos lidos. O professor de Português do colégio Salesiano, Glaudertone Barcéllos, defende que o educador deve se valer da potencialidade das imagens, mas não a ponto de abandonar os textos. "O texto não-verbal colabora com a compreensão, mas não pode ser a base de tudo", afirma. Famílias mais próximas da escola pública O Estado lançou mais um projeto de educação.

O objetivo, agora, é aproximar a família cada vez mais da escola. Em evento no Palácio Anchieta, foi apresentado um kit família, que cada escola da rede deve receber: com seis filmes, dez livros e uma coletânea de textos sobre o assunto. "Unir as duas instituições de interesse na formação mais qualificada dos nossos jovens é dever do Estado e da família.

Os dois devem andar juntos", frisa o secretário estadual de Educação, Haroldo Corrêa Rocha. "E a preocupação não é só do Estado. No ano passado, 35 escolas desenvolveram projetos pedagógicos com esse objetivo, dois até foram premiados", conta ele. O Estado ainda lançou outros dois projetos: um, já de conhecimento dos pais, que é o boletim eletrônico, com as notas dos filhos disponíveis na internet. "Também vamos organizar congressos regionais de pais, ainda neste ano", afirma Haroldo Corrêa. Resultados no interior Afonso Cláudio.A regional de Afonso Cláudio, com sete municípios, conseguiu melhor resultado nas provas de Português e Matemática Notas.

Só 41% dos alunos de Afonso Cláudio, Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante, Conceição do Castelo, Laranja da Terra, Brejetuba e Santa Maria de Jetibá atingiram nota insatisfatória em Português, e 29% deles em Matemática Interior. As regionais de Colatina, Linhares e Cachoeiro de Itapemirim também conseguiram menos notas baixas em Português se comparadas a outras regiões Matemática. Escolas de Colatina e Guaçuí foram melhores que outras regionais do Estado Período.

Alunos do interior que em idade compatível com o 1º ano do ensino médio da rede pública estadual, em 2008, também foram superiores aos que moravam na Região Metropolitana Piores. Em Português e Matemática, as notas foram mais baixas nas regionais Barra de São Francisco, Cariacica, Vila Velha e Carapina O Programa de Avaliação da Educação Básica do Espírito Santo (Paebes) é aplicado pela Secretaria Estadual de Educação (Sedu) para acompanhar a evolução do aprendizado dos alunos. Os estudantes do 1º ano do ensino médio fizeram o Paebes em dezembro de 2008.