O tempo em que a aula de matemática era restrita aos conceitos teóricose às fórmulas ficou para trás. Neste ano os números ganharam um novosentido para os alunos do ensino médio. Graças ao Exame Nacional doEnsino Médio (Enem), a matemática está cada vez mais contextualizada. Épossível aprender observando jogos de futebol, calculando semelhanças ediferenças entre grupos de pessoas e até na ida ao supermercado.

Aênfase da prova nacional, que vai substituir de forma total ou parcialos vestibulares das três universidades federais do estado neste ano, éjustamente o raciocínio lógico.

Ou seja, a capacidade do estudante deencontrar soluções para as questões do dia a dia. Ganham professores ejovens, que agora encontram maior lógica para aquela que já foiapelidada "a mais chata das disciplinas". Nesta semana a série doDiario sobre os conteúdos do Enem vai abordar estatística, assunto queserá cobrado pela primeira vez no teste nacional.

Antes decorrer para decorar as fórmulas de estatística, saiba que a 1 lição dotema é não memorizar cálculo algum. Isso mesmo. "O mais exigido não sãoos cálculos, mas o entendimento teórico dos alunos", explicou oprofessor de matemática do Instituto Helena Lubienska, Luís Rodrigo.Segundo ele, o Enem cobrará do estudante a compreensão dos conceitos demoda, mediana, desvio-padrão e variância.

O primeiro diz respeito àfrequência com que um elemento aparece num conjunto de dados. O segundoé a colocação, em ordem crescente, do elemento dentro de uma sequência.Já o desvio-padrão e a variância versam sobre a propriedade dedispersão dos elementos na mostra.

Uma forma de trazer o conteúdo para o dia a dia é pensar num jogo defutebol. Por meio do acompanhamento dos times, os torcedores podemelaborar cálculos de posse de bola, chances de gol e aproveitamento dasequipes. Tudo isso é estatística. Na maioria das vezes, a médiaaritmética resolve boa parte desses problemas.

A fórmula éconhecidíssima dos alunos doensino médio. Os professores entrevistadosacreditam que o assunto deve vir acompanhado de tabelas, análise degráficos e textos jornalísticos. "As questões serão voltadas parasituações cotidianas, com textos envolvendo dados percentuais, quepodem ser retirados de jornais ou revistas", apostou o professor doLubienska.

O teste de matemática terá um peso maior que a deoutras disciplinas neste ano. Isso porque o Enem está dividido emquadro grandes áreas de conhecimento. Traduzindo: as questões dematemática e suas tecnologias valem 25% da nota total da provaobjetiva. O Enem vai substituir a 1 fase da seleção da UniversidadeFederal de Pernambuco (UFPE) e servirá como seleção única dasuniversidades Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e Vale do SãoFrancisco (Univasf).

Como o assunto será abordado

Asnoções de estatística sempre foram abordadas pelo Enem, embora nãoestivessem presentes no conteúdo do ensino médio. Este ano, porém, ocronograma da prova nacional especificou o assunto na área dematemática e suas tecnologias

- Mais importante que decorar as fórmulas estatísticas é compreender as teorias que envolvem o tema no cotidiano

- O conceito de moda é aquele em que, num conjunto de dados, é possível identificar o elemento que tem a maior frequência

-Já o conceito de mediana é aplicado quando é possível identificar numconjunto de dados, em ordem crescente, o elemento que se encontra nocentro dessa sequência

- Os conceitos de desvio-padrão e variância mostram o quanto os valores podem estar dispersos

-Para se dar bem na prova de matemática, o aluno vai precisardesenvolver as habilidades de interpretação de texto e de raciocíniológico

- O fera também terá que aprender a ler gráficos de colunas, de setores (estilo pizza) e de linhas

- Os cálculos mais usados são de média aritmética, além das fórmulas de desvio-padrão e variância

-A estatística é uma ciência que está a serviço das demais. Ela permitea geração de conhecimento em outras áreas através de métodosquantitativos

- São exemplos de estatística aplicada ao dia a dia os jogos de futebol e os cálculos de média aritmética de grupos sociais

Fonte: Departamento de estatística da UFPE e equipe pedagógica do Instituto Helena Lubienska.