Os nomes dos cursos superiores de Engenharia vão mudar em 2010. A medida, anunciada pelo Ministério da Educação, pretende agrupar em 22 nomenclaturas as 258 designações diferentes para as graduações de Engenharia no Brasil. Uma consulta pública foi aberta para que professores, alunos e pessoas da sociedade em geral enviem sugestões até 31 de julho, pela internet.

O MEC elaborou uma lista com possíveis referenciais. Os cursos de Bioengenharia, Engenharia Agroindustrial Agroquímica e Engenharia Bioenergética passariam a se chamar Engenharia Química, por exemplo. De acordo com o órgão federal, a ideia é facilitar a elaboração dos projetos pedagógicos e dar mais clareza às empresas nos processos de seleção de funcionários.

Pelo menos dois cursos do campus Darcy Ribeiro terão nomes modificados. De acordo com a proposta do MEC, Engenharia Mecatrônica passaria a se chamar Engenharia de Controle e Automação e Engenharia de Redes, de Engenharia de Telecomunicações. Na Faculdade do Gama, das quatro graduações, três sofreriam alterações de nomenclatura. Automotiva se enquadraria em Mecânica, Engenharia de Software em Computação e de Energia em Engenharia Química, de Minas ou Elétrica.

Professor da Faculdade UnB Gama, José Carlos Balthazar critica a medida. A área de Tecnologia é dinâmica e o agrupamento limitaria as universidades, na opinião do professor. “Não adianta colocar os cursos em formações pré-concebidas. A universidade tem que ter liberdade para responder rápido o que a sociedade demanda”, diz. Balthazar cita como exemplo a criação das engenharias nuclear e de computação com o surgimento da energia nuclear e a era da informática.

Registro
A diversidade de nomenclaturas surgiu de acréscimo de “sobrenomes” ou de digitação errada, de acordo com o diretor de regulação e supervisão da Educação Superior do MEC, Paulo Wollinger. Ele afirma que o objetivo da medida é organizar os nomes e não o de colocar camisa de força nos cursos. “As instituições poderão criar novos cursos, desde que o perfil do estudante egresso tenha diferenças substanciais em relação a algum curso já existente”, afirma.

"Existem muitos cursos cadastrados em Engenharia que não possuem, de fato, nenhuma relação com a área", defende o presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), Marcos Túlio de Melo. Segundo ele, desde 2005 o Confea reduziu de 1 mil para 304 os títulos profissionais da área.

O diretor da Faculdade de Tecnologia da UnB, Humberto Abdalla,  aprova a mudança, mas faz ressalvas. "Nem todos os cursos irão se encaixar nas 22 nomenclaturas", diz. É o caso do curso de Engenharia de Energia. A lista de referências do MEC oferece três possibilidades - Engenharia Elétrica ou de Minas ou Química. "Só elétrica é pouco, mecânica não retrata. Acertar de primeira será complicado", afirma o docente.