O próximo vestibular será o maior da história da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A expectativa é da própria instituição. Serão oferecidos 11 novos cursos de graduação. Quatro outros já existentes serão ampliados (veja quadro abaixo). Ao todo, serão ofertadas 6.600 vagas, 650 a mais do que no ano passado.

Ontem, a UFMG lançou o edital do concurso para 2010. As inscrições começam no dia 7 de agosto e a primeira etapa, que desde o ano passado é realizada em apenas um dia de provas, será em 29 de novembro.

A abertura de novos cursos faz parte do programa Reuni, que em 2008 abriu outras 14 cadeiras. Segundo a coordenadora da comissão permanente do vestibular (Copeve), Vera Lúcia Resende, 75% das novas vagas serão abertas no período noturno. "Queremos facilitar o acesso à universidade daqueles que trabalham", explicou.

Entre as novas opções de graduação, estão cursos tradicionais, como antropologia, e outros que atendem tendências do mercado, como gestão de serviços de saúde. "Esses cursos foram escolhidos justamente pela demanda da sociedade. Ou eram cursos que acabaram se focando muito em uma área específica de atuação, como engenharia de sistemas, ou são outros cursos de áreas que não possuem profissionais formados." No vestibular de 2011, haverá a expansão de mais cursos com abertura de vagas noturnas, o que finalizaria a implantação do Reuni na universidade.

O exame de 2010 será o segundo vestibular com o sistema de bônus para alunos oriundos de escolas públicas e candidatos que se autodeclararem negros ou pardos. No vestibular 2009, 39,84% do total de candidatos optaram pelo programa de bônus. Desses, 34% foram aprovados nas duas etapas, sendo que 22% deles se autodeclararam negros. "Neste ano esperamos um crescimento no número de candidatos ao bônus porque esse sistema está mais divulgado. A partir deste vestibular faremos estudos comparativos para avaliar o sistema", afirmou Vera Lúcia.

O novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não causará nenhuma alteração no vestibular da UFMG deste ano, que ainda avalia uma possível adesão para o concurso de 2011.

Cursinhos. Os cursos pré-vestibulares já preparam alunos interessados em ingressar nos novos cursos oferecidos pela UFMG. A expectativa dos candidatos é encontrar, além de uma menor competitividade, novos campos de trabalho. O estudante Daniel Santiago, 18, pretende se inscrever no curso de engenharia de sistemas. "É um curso oferecido por outras faculdades, mas a maioria particular. É uma área da engenharia que me desperta interesse justamente pela variedade de projetos que poderei trabalhar."

A estudante Fabíola Moreira, 19, quer concorrer ao curso de tecnologia em radiologia e diagnóstico. "Pretendia fazer um curso técnico, mas quando soube que na federal iria abrir esse curso como superior, optei
por esperar mais um pouco, estudar um pouco mais e fazê-lo para ter uma formação mais sólida", explicou.

Índios terão vagas extras
A UFMG publica ainda neste mês outro edital de um vestibular diferenciado, desta vez destinado a índios. A instituição é a primeira do Estado a tomar esse tipo de iniciativa. Nos próximos quatro anos, a universidade vai destinar 12 vagas extras, por ano, em cursos ligados à área de saúde.
De acordo com a pró-reitora adjunta de graduação, professora Carmela Polito, a medida surgiu como política de inclusão social. Foram criadas duas vagas adicionais nos cursos de medicina, enfermagem, odontologia, ciências biológicas e ciências sociais, no campus Pampulha, e agronomia, em Montes Claros.

A divulgação da prova ficará a cargo da Fundação Nacional do Índio (Funai). Para comprovar a origem indígena, o candidato terá de apresentar uma carta com o reconhecimento da comunidade ao qual ele pertence.

Auxílio financeiro. Os índios passarão por um curso preparatório e também receberam auxílio financeiro e de moradia para se fixarem na capital. (EM)