Os estudantes que obtiveram a nota mais alta do Estado de São Paulo na última edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não pagam mensalidades, não vieram de famílias com renda alta, nunca foram ao exterior, não têm internet banda larga em casa e tiveram o primeiro contato com bens culturais, como cinema e teatro, há pouco.

Esses alunos, que superaram colégios particulares tradicionais, passaram o ensino fundamental em escolas públicas e fizeram os três anos do ensino médio no Colégio Engenheiro Juarez Wanderley, em São José dos Campos, a 92 quilômetros da capital. Criada pela Embraer há sete anos, a escola virou referência de ensino e já formou cinco turmas e sempre figurou na lista dos melhores do Enem, ganhando maior visibilidade neste ano quando alcançou a primeira posição. São 600 vagas, 200 em cada ano do ensino médio, preenchidas pelos melhores alunos no processo seletivo.

Para garantir a permanência, a Embraer banca o transporte, o uniforme, os materiais escolares e as refeições dos adolescentes. Tudo isso ao custo de R$ 1.200 por mês por aluno. As instalações são simples e suprem as necessidades de ensino: além das salas de aula, há biblioteca e laboratórios de física, química e biologia. Os professores não têm mestrado ou doutorado e recebem salário equivalente ao pago em colégios particulares do interior - foram contratados na própria cidade, alguns vindos da rede pública, outros de colégios particulares.

O método de ensino é da Rede Pitágoras, que também assume a capacitação dos docentes. O grande diferencial do colégio é selecionar e investir nos melhores estudantes da rede pública, oferecendo uma carga horária elevada: as aulas começam às 7h45 e vão até 18h45. E os estudantes, em vez de reclamarem, gostam. "Eles são fortemente estimulados a melhorarem seu desempenho e pensarem no futuro", afirma o diretor superintendente do colégio,
Pedro Ferraz.

Um exemplo são as aulas pré-universitárias, com conteúdos de primeiro ano de faculdade nas áreas de ciências biológicas, humanas e exatas. "Aqui você acha seu próprio método de estudo e aprende a pesquisar", resume a aluna do 2º ano do ensino médio Sarah Braga, 16 anos. "Os professores nos ajudam muito, conversam com a gente e estimulam a gente a aprender. Não ficam só copiando na lousa, eles jogam as perguntas e a gente descobre as respostas", complementa Felipe Lira, 17, que está no último ano.

Para o presidente da Embraer, Frederico Curado, a escola mostra que, se o investimento é feito, os resultados aparecem rápido. "Em três anos, a gente muda completamente a vida deles.ê possível fazer a diferença. E o Estado tem de e ver essa nossa experiência e aplicá-la para o resto da sociedade."