"São modelos diferentes de ensino que se aplicam a pessoas diferentes, mas dão o mesmo resultado em qualidade", diz o secretário de Educação a Distâncias do Ministério da Educação (MEC), Carlos Eduardo Bielschowsky. Para ele, quem ainda desconfia disso tem "um pensamento atrasado".

O MEC criou em 2005 a Universidade Aberta do Brasil (UAB), consórcio com cursos em 76 instituições públicas e 140 mil alunos. Em São Paulo, o governo tenta implementar sistema semelhante por meio da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). O primeiro convênio, de um curso de Pedagogia oferecido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), será assinado em agosto.

O curso da USP, de Licenciatura em Ciências, está pronto, mas divergências entre o governo e a universidade impediram o fechamento do contrato. Segundo o responsável pelo curso na USP, José Cipolla Neto, o governo queria se apropriar do curso.

"Eles querem o material para eles, querem usá-lo em outro contexto, fora da USP O curso não é do governo, é da universidade." Para ele, o governo
deveria apenas financiar o projeto, no valor de R$ 12 milhões.

A USP agora terá de bancar o curso, o que deve atrasá-lo para 2011. A confusão ocorreu antes dos grevistas contestarem a educação a distância, com o argumento de que baixaria a qualidade da graduação. O secretário de Ensino Superior do Estado, Carlos Vogt, responsável pelo projeto, nega essa intromissão e acredita que a pesquisa do Inep pode ajudar a acabar com esse preconceito.