Sabe aquela química que você aprendeu durante o colégio? Aquela que é a dor de cabeça de grande parte dos alunos do ensino médio? Saiba que ela pode não ser tão aterrorizante assim. Basta compreendê-la como uma das ciências centrais do mundo.

Ou seja, perceber que é por conta da química que realizamos pequenas tarefas, como, por exemplo, respirar. Mas isso não é tão fácil quanto parece. Para perceber a real importância do assunto no nosso dia a dia é preciso um estudo mais aprofundado, que pode ser feito na graduação de química. Hoje, existem duas opções de curso. O de licenciatura e o de bacharelado.

Pernambuco conta com os dois tipos de graduação. A Universidade Federal de Pernambuco é a única que oferece o bacharelado, mas nela também há a licenciatura, assim como na Universidade Católica e na Universidade Federal Rural de Pernambuco. A diferença básica entre os dois tipos de curso está na área de atuação do químico.

Quem quer atuar com pesquisas, em desenvolvimento de novos elementos ou experimentos, deve escolher o bacharelado. Já quem prefere o ensino, a licenciatura é a melhor opção. "Ao terminar a licenciatura, o aluno sai pronto para o ensino fundamental e médio. Caso ele queira dar aulas em universidades, precisa fazer uma especialização ou mestrado", alerta Valdemir dos Santos, coordenador do curso da Católica.

Dentro do curso da Rural e da Católica, além das noções básicas e mais complexas sobre química, o estudante ainda verá toda parte voltada para educação. "Ele vê projeto pedagógico, psicologia e metodologia do ensino. O professor de química não é mais aquele que só passa o conhecimento, ele precisa ser atuante na conexão ensino- aprendizado do aluno", explica Santos. Kamylla Alexandre, 19 anos, sabia bem dessa parte mais pedagógica quando escolheu o curso.

No 6º período da licenciatura ela já está de olho no mercado de trabalho. "Escolhi o curso por conta disso. É um mercado bem amplo, não se resume só à sala de aula. Se eu quiser trabalhar em indústrias posso fazer uma especialização, um mestrado. O crescimento das tecnologias e a chegada da refinaria vão deixar o mercado ainda maior", garante Kamylla, que faz iniciação científica em biotecnologia.

Já quem opta pelo bacharelado terá que ter um pouquinho mais de disposição para os estudos. É
que além da segunda fase do vestibular, o estudante terá pela frente a terceira fase. São seis meses de iniciação no curso para que ele veja se é isso mesmo que quer. "Nessa terceira etapa entram 60 alunos, da qual só sairão 20", explica Alfredo Simas, professor do bacharelado. Isso está sendo feito por conta do alto número de desistência que havia no curso. "Muita gente vinha sem saber direito como era. O bacharelado é voltado para a química pura mesmo, para a pesquisa científica ou desenvolvimento nas empresas. Nesses seis meses é que o aluno vai se descobrir", afirma Simas.

Mas para qualquer que seja o curso escolhido, o aluno tem que ter em mente que a química vai muito além daquela que é vista na sala de aula do ensino médio. Ela é a responsável pelo desenvolvimento de muitas das tecnologias que usamos hoje e ainda pelo funcionamento do nosso corpo. "Eles verão tudo isso na parte de química orgânica, inorgânica, físico-química, que são disciplinas mais específicas", afirma Valdemir.