Sabemos como a UNIRfaz seu vestibular. Os candidatos pagam uma taxa, a Universidadecontrata uma instituição externa (quase sempre a Universidade Federalde Mato Grosso – UFMT), que se responsabiliza por elaborar, aplicar ecorrigir as provas, entregando os resultados. A Comissão de Vestibularda UNIR divulga os resultados. Os candidatos que se sentem prejudicadosrecorrem e a UFMT julga o recurso, de modo geral negando procedência.Por fim, os candidatos aprovados fazem sua matrícula e começam seusestudos.

Todos estes atos são previstos no edital, o que significa que sãopúblicos, e todos os candidatos seguem o mesmo roteiro impessoal. Éassim que as coisas acontecem não porque seus dirigentes queiram, masporque a Constituição do Brasil determina que a administração públicase submeta aos princípios da moralidade, publicidade, impessoalidade eigualdade.

Mas, também sabemos, neste país da jabuticaba, que ainda que todosos bichos sejam iguais, há bichos que são mais iguais que os outros. Noúltimo vestibular de medicina da UNIR, com matrículas ocorrendo agorapara início das aulas em agosto, alguns bichos se mostraram muito maisiguais do que a patuléia, que foi feita de boba.
O que aconteceu? Aconteceu um golpe de mestre. Acompanhe o roteiro.

Alguns candidatos sentindo-se prejudicados pela correção recorreramà UFMT, pedindo revisão de provas e de notas, o que possibilitaria umaeventual aprovação. Os pedidos foram indeferidos. Como o edital nãoprevia outro tipo de recurso os prejudicados enfiaram a viola no saco,lamberam as feridas e foram estudar para o próximo concurso.

Mas, sempre tem um mas, meia dúzia de candidatos inventou de fazerum recurso administrativo à Reitoria da UNIR. Embora sem previsão noedital a Reitoria acatou a possibilidade de recurso, nomeando umacomissão interna para rever as provas e notas. E foram as provas enotas tão bem revistas, que candidatos que estavam classificados lápelos lugares noventa e tanto se viram promovidos para os lugares vintee tanto, aprovados por conseqüência.
Este novo procedimento, ou poder-se-ia dizer este novo métodovestibular, não foi tornado público, não se anunciou que a Reitoriaestava com uma Comissão de três notáveis para rever as provas e notas.Ficou valendo apenas para aqueles bichos mais iguais que os outrosbichos.

Eles estavam aprovados, mas ainda havia um pequeno detalhe. Comoforam oferecidas quarenta vagas que já estavam preenchidas pela seleçãoda UFMT, os agora novos aprovados pela seleção interna da Reitoria nãopodiam se matricular por falta de vagas.

Então eles recorreram à Justiça Federal que não teve dúvida desentenciar: se a Reitoria tinha aprovado estes candidatos, ela quetratasse de providenciar suas matrículas, independente do número devagas. Assim, por “determinação judicial”, o curso de Medicina da UNIRpassou de 40 para 45 vagas. Desta lista quarenta foram aprovados pelaUFMT e cinco aprovados pela Reitoria.

É ou não é um golpe de mestre?
Quem são os notáveis da Comissão que aprovou os bichos? Quem são os bichos mais bichos que os outros bichos?
Que perguntas indiscretas! Onde já se viu!!! Vai cuidar da tua vida, que não é da tua conta! Aparece cada neguinho curioso!