Um novo vestibular vem aí trazendo ainda mais opções aos estudantes. Em 2010, com apenas uma prova será possível concorrer em até cinco instituições e cursos diferentes da rede pública.

Enquanto alguns comemoram mais chances de ingresso, e se preocupam com a novidade no formato da prova, para a maioria dos candidatos o problema continua sendo um antigo drama: a escolha do curso.

O efeito do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sobre a primeira decisão profissional já preocupa especialistas. Com tantas alternativas, o risco de tentar entrar de qualquer jeito na universidade aumenta.

– Entrar por entrar é perda de tempo. O aluno não se engaja e ainda ocupa uma vaga de quem poderia aproveitar. A escolha deve ser coerente, dentro da perspectiva de um projeto profissional. É preciso conhecer o curso e a profissão – alerta Marco Antônio Teixeira, do setor de orientação profissional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Quando se conhece uma pessoa, logo se quer saber com o que ela trabalha, pois pode-se ter uma ideia do seu estilo de vida, dos seus gostos. Por isso, ter uma profissão que combine com o seu jeito é sempre a melhor opção. Mas como as pessoas (e as profissões) podem se modificar sempre, não dá para ter medo de uma mudança no futuro. A vida é repleta de escolhas.

Pelo calendário do governo, as inscrições para o Enem começam em junho (2009). Mas até a definição do curso há tempo de sobra para montar um projeto que valha a pena o esforço.

A escolha é para o resto da vida?
- Escolher uma profissão é esboçar um projeto de vida, não definir o futuro. O vestibular representa só a primeira escolha profissional, e nem sempre é definitiva. Mesmo quando há identificação com o curso, pode haver ajustes ou mudança de rumo. Isso porque a cada ano que passa aprende-se coisas novas. Uma mudança não significa fracasso nem frustração, mas aceitar novas propostas. O que você precisa agora é pensar em valores, habilidades, no que gosta de fazer e na vida que pretende ter. A escolha não termina no vestibular, nem na formatura. Elas fazem parte de toda a trajetória.
Nasci para uma profissão, só não sei qual é...
- A tal vocação que você sempre ouviu falar é considerado um estereótipo. As pessoas têm potencial para mais de uma carreira, e cada profissão também oferece muitas atividades diferentes. Não há só um jeito de ser advogado. Um psicólogo também não precisa atender a pessoas em um consultório o dia inteiro. Informe-se e sinta-se livre para escolher.
O que a minha família vai achar?
- Ouvir conselhos de pais e amigos pode ser proveitoso, mas a decisão deve ser sua. O medo de desapontar as pessoas pode atrapalhar. Fique atento. Quando a família não apoia pode ficar um pouco mais difícil, mas não impossível. Talvez você tenha de levar informação a seus pais sobre a sua opção. E não há mal nenhum em seguir a profissão da família, desde que a decisão seja sua. A família que ajuda é a que deixa o espaço aberto para conversa, contribuindo com informações ou encaminhando para um serviço de orientação. Por excesso de liberdade, muitos pais se omitem com a desculpa de não querer interferir na vida dos filhos.
Essa profissão vai dar dinheiro?
- Não há profissão que dê dinheiro, mas profissionais que ganham bem em todas as profissões. Isso vai depender do ramo, da atividade, do perfil da pessoa e também da trajetória desde a faculdade. O mercado de trabalho é um terreno de incertezas. Não há garantia de que alguém vai se dar bem. A probabilidade de dar certo na carreira aumenta quando há clareza da escolha, identificação com o curso e conhecimento das diversas possibilidades de ingressar na profissão.
Esse curso é importante?
- Pare para pensar o quanto o status da profissão está influenciando a sua escolha. Optar por uma carreira bem vista pela sociedade não é um critério suficiente para uma decisão. É necessário descobrir qual a importância da profissão para você. Não descarte nenhuma opção antes de conhecê-la. Cuidado com o preconceito. Amplie suas chances conhecendo todas as carreiras, avaliando prós e contras.
Por que eu ainda tenho dúvida?
- Porque é uma escolha importante e você está interessado em acertar. Ter dúvida neste momento é mais do que natural. A questão é: o que falta para conseguir avançar? Aproveite a dúvida. Ela é um motor para buscar informação, refletir e evoluir. Aqueles que têm dificuldade em conviver com a dúvida muitas vezes escolhem precipitadamente, com pouca informação e certezas apoiadas em fantasias.
Fonte: psicólogos Marco Teixeira e Cláudia Sampaio Corrêa da Silva, do Núcleo de Apoio ao Estudante da UFRGS