Com 180 questões de múltipla escolha, envolvendo ciências humanas, ciências da natureza, matemática, redação e linguagens e códigos, o Enem deste ano será aplicado nos dias 3 e 4 de outubro, em 1.619 municípios, e os resultados serão divulgados a partir da segunda quinzena de janeiro do próximo ano.
Além de ser obrigatório para os estudantes pobres e carentes que quiserem concorrer a uma bolsa do Programa Universidade para Todos (ProUni), que custeia, total ou parcialmente, as mensalidades em instituições particulares e confessionais, a partir deste ano o Enem também servirá como processo seletivo para cerca de 40 das 55 instituições federais de ensino superior, que aderiram à proposta de unificação dos vestibulares que o Ministério da Educação (MEC) apresentou há quatro meses. A iniciativa foi inspirada no sistema adotado nas universidades americanas, e consiste numa prova com validade nacional, que permite aos aprovados escolher o curso e a universidade conforme a pontuação obtida.
Algumas universidades federais pretendem utilizar o Enem de 2009 como prova única para seus vestibulares. Outras irão adotá-lo apenas na primeira fase de seus exames de acesso (a segunda fase envolveria provas com questões sobre disciplinas mais específicas, como ciências exatas). Até o ano passado, as notas do exame, que compreendia uma redação e somente 63 questões, valiam apenas como pontos nos vestibulares de cerca de 500 universidades privadas, confessionais e públicas.
Um dos fatores que levaram o número de candidatos ao Enem de 2009 a ficar muito abaixo das expectativas do Inep foram as dificuldades enfrentadas pelos estudantes para fazer sua inscrição, que a partir deste ano passou a ser feita somente pela internet (até o ano passado, a inscrição também podia ser feita em agências dos Correios). A lentidão na página eletrônica do programa foi tanta que a direção do Inep foi obrigada a prorrogar por 48 horas o término do prazo de inscrição. Durante 35 dias, foram registrados quase 7 milhões de acessos. Para o MEC, muitos estudantes deixaram para se inscrever no último dia, o que teria sobrecarregado o site do Enem.
Outro fator apontado para a não confirmação das estimativas do MEC para o número de inscritos foram as mudanças efetuadas na estrutura e no conteúdo da prova, que a tornarão mais complexa e analítica, permitindo uma avaliação mais rigorosa das competências e das habilidades dos candidatos. Como essas alterações só foram divulgadas no final do primeiro semestre, muitos estudantes reclamaram das alterações com o "jogo em andamento", optando por fazer o Enem a partir de 2010, já preparados para o novo formato do teste.
No Enem de 2009, o número de inscritos cresceu em todas as unidades da Federação, com exceção de São Paulo e de Roraima. A queda de 5,45% nas inscrições de candidatos de São Paulo está sendo atribuída pelos especialistas ao fato de as universidades federais não terem no Estado a mesma importância que têm nas demais regiões do País. Em São Paulo, as três universidades públicas mais procuradas - a USP, a Unicamp e a Unesp - não aceitaram converter o Enem de 2009 como prova única ou primeira fase de seus exames vestibulares, como ocorre com vários cursos da Universidade Federal do ABC, da Universidade Federal de São Paulo e da Universidade Federal de São Carlos. Isso, contudo, em nada compromete o Enem, que é, 11 anos após sua criação, um dos mais bem-sucedidos mecanismos de avaliação escolar já adotados no País.


