Em um vestibular concorrido como o Estadual, que seleciona para as três universidades estaduais do Rio, estudar para todas as matérias é importante. Mas, se alguma das três áreas pode representar o diferencial para um bom conceito, seguramente é a de Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, a que registra o mais baixo índice de acertos nos Exames de Qualificação.

Nas duas provas da primeira etapa realizadas no ano passado, os vestibulandos acertaram, em média, menos de 40% das questões desta parte (quase o equivalente a 8 questões em 22). Nas outras duas áreas, o percentual de acertos gira em torno de 50% a 57% do total dos itens apresentados na avaliação (Veja tabela ao final).

E o quadro não é uma exclusividade do ano passado. Nos dois vestibulares anteriores, a parte de Ciências Exatas era, de longe, aquela em que os inscritos enfrentavam mais dificuldades. A única diferença é que, nas duas seleções, o rendimento melhorou do primeiro para o segundo Exame, ao contrário do vestibular 2009.

A parte de Ciências Exatas e suas Tecnologias reúne quatro das matérias que mais assustam os vestibulandos: Matemática, Biologia, Química e Física, cobradas, em várias questões, de forma interdisciplinar. As três últimas só são estudadas de maneira mais aprofundada a partir do ensino médio. Aí pode estar uma das explicações para a dificuldade que os estudantes têm com Física, na avaliação de José Maurício Vieira dos Santos, coordenador da disciplina no Sistema Elite de Ensino.

'Os alunos começam tarde a trabalhar mais diretamente com a experimentação nos fenômenos físicos. Em geral, só a partir dos 16 anos eles começam a analisar os estes fenômenos de forma particular. É quando se estuda, por exemplo, por que os objetos se movimentam, por que param, entre outras coisas', comentou o coordenador do Sistema Elite.

A dificuldade com a Física também é frequentemente associada à falta de habilidade com a Matemática. O professor, porém, acha que este não é o problema principal, pois as habilidades de cálculo exigidas, em geral, são básicas, como o uso das quatro operações, equação da reta, equação de 2º grau, triângulos retângulos e outras do tipo.

'Os cálculos cobrados em Física não chegam a 1/3 do que se aprende em Matemática', destacou o professor José Maurício Vieira. Ou seja, não basta ter habilidade em fazer contas. Mais importante é compreender como ocorrem os fenômenos. 'O problema é mesmo o raciocínio. O aluno vê a proposta de uma questão e simplesmente não consegue entender. Até porque eles começam tarde a trabalhar mais diretamente com a experimentação.

Outra disciplina que costuma derrubar os candidatos em vestibulares é Matemática.
Esta, provavelmente, é uma das causas do baixo índice de acertos na parte de Ciências Exatas, onde os cálculos são necessários não só para a resolução das questões específicas da matérias, como para encontrar a solução de itens das outras três que compõem a área.

Mas, a falta de habilidade nos cálculos não é a única causa das dificuldades. 'A Matemática é uma linguagem. E, como linguagem, tem de ser lida, interpretada, para então ser seguida da aplicação dos cálculos necessários', comentou o professor Thales do Couto, professor de Matemática da PUC-Rio, do Colégio Santo Inácio e do Colégio Zaccaria.

A interdisciplinaridade que várias questões da Uerj adotam na área de Ciências Exatas é outro obstáculo, até porque muitos alunos não estão acostumados com este tipo de abordagem, segundo o educador. Com isto, a habilidade em lidar com os conhecimentos de forma interdisciplinar, no final das contas, depende do próprio candidato e de sua vivência escolar. 'Ele é que tem de conectar o conhecimento das outras matérias com o da Matemática', comentou o professor Thales do Couto.