Educadores de Uberlândia avaliam como positiva a mudança feita no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pelo Ministério da Educação. A partir de 2010, o exame será um instrumento de ingresso em várias universidades públicas brasileiras.

Para o pedagogo e educador Lilio Alonso Paoliello Junior, o Ministério da Educação iniciou uma revolução na educação do País, ao propor o novo Enem. “A proposta do Ministério traz a possibilidade de a sociedade discutir a formação do aluno do ensino médio. Temos que perceber que a mudança no Enem não é tão forte. A boa escola deve colocar o indivíduo em função da sociedade. Segundo o conceito de protagonismo juvenil, o jovem estudante tem que olhar para o mundo, perceber sua capacidade como cidadão e aprender que suas competências devem ser usadas em prol da sociedade”, disse o educador.

Lilio Paoliello acredita que a mudança do Enem levará à reforma do ensino médio e, consequentemente, vai mudar a educação básica. “O aluno vai se formar ao longo da vida escolar e resgatar o gosto pela leitura. A nova prova é composta de forma que privilegia a interpretação. Os alunos têm dificuldade de interpretação porque a escola formou estudantes e professores com dificuldades nessa habilidade.”

Washington Luciano Medeiros, representante dos diretores das escolas estaduais de Uberlândia na Comissão de Reestruturação do Ingresso no Ensino Superior (Cries), explica que, a partir de agosto, o governo estadual oferecerá 30 mil vagas aos alunos das escolas públicas no curso de aprofundamento, que funcionará como uma espécie de cursinho pré-Enem.
“No aprofundamento, será trabalhado o conteúdo da nova prova, para que o aluno da rede pública não saia prejudicado. Agora, há um interesse maior desse aluno, que, antes, temia o decoreba dos vestibulares convencionais”, disse.

O diretor afirma que o percentual de participação de 25% dos alunos da rede pública em processos seletivos deve aumentar para 80%, com o surgimento do novo Enem.

Vestibulandos estão preparados para exame

O representante das escolas particulares na Cries — que é vinculada à Universidade Federal de Uberlândia (UFU) —, Thomé de Freitas, acredita que o projeto do Ministério da Educação visa à melhor distribuição de questões consideradas fáceis e difíceis no novo Enem. “Com o nível de preparação que os alunos as boas escolas têm, eles estão prontos para passar bem pelo exame do governo federal. Os vestibulandos se preparam para provas muito mais complexas do que o Enem. Eles têm condições de sobressair no exame e nos demais vestibulares”, afirmou.

Criado em 1998, até o ano passado o Enem servia apenas para avaliar o conhecimento dos estudantes concluintes do ensino médio. A mudança foi anunciada em fevereiro deste ano.

Simulado atrai estudantes

O Ministério da Educação disponibilizou a partir do dia 30 de julho a prova simulada do novo Enem no endereço eletrônico. O resultado dessa ação foi o congestionamento do site e a dificuldade de jovens e educadores em acessar o novo exame.

Prova de que a reformulação do Enem atiça a curiosidade de todos os envolvidos. Mais de 4,5 milhões de jovens brasileiros farão o exame, marcado para outubro deste ano, com o objetivo de entrar em um curso superior, no primeiro semestre de 2010.

“Vimos que o simulado tem o mesmo formato do Enem anterior. A intenção das escolas públicas e particulares é a de manter os bons resultados, o conteúdo não se diferencia muito dos exames anteriores”, disse o diretor Washington Medeiros.

Mais de 90 universidades aderiram ao exame 

Na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a prova do novo Enem vai substituir a primeira fase do vestibular do primeiro semestre do ano que vem. A segunda etapa do vestibular será elaborada pela Comissão Permanente de Vestibular (Copev) da instituição, como é feito tradicionalmente.

Mais de 50 universidades públicas brasileiras aderiram ao Enem 2010. As provas, com 180 questões de múltipla escolha e uma redação, serão feitas em quatro módulos: Linguagens, Matemática, Humanas e Natureza.

As instituições de ensino superior podem escolher o uso do Enem como fase única de ingresso, como primeira fase, combinado com o vestibular da escola, ou como fase única para as vagas remanescentes do processo seletivo.