Treneiro campeão Marcus Vinicius Pereira Rêgo, 17 anos, medicina 1º lugar no câmpus do Plano Piloto Ele nem concluiu o ensino médio, estudou sem precisar de um cursinho pré-vestibular e, com muita determinação, conquistou uma das vagas mais desejadas da UnB. Marcus Vinícius afirma que fez as provas por experiência, para se preparar para o processo seletivo do fim do ano.

"Tinha expectativa de passar, mas não imaginava que conseguisse o primeiro lugar geral", confessa. O calouro tremeu, suou frio e até ficou tonto ao saber da notícia. Foi a recompensa pelo esforço durante o semestre. "Estudei bastante", diz. A decisão para o curso de medicina veio no início do ano, quando Marcus assistiu a uma reportagem sobre transplante de órgãos.

Na avaliação dele, não há segredo para passar no vestibular. "É estudar, isso todo mundo sabe, mas nem sempre faz", observa o jovem. A rotina de estudos de Marcus começava às 14h, depois de um rápido descanso após o almoço. Ele voltava para o colégio no período da tarde e estudava durante cinco horas por dia. Fazia leituras do conteúdo e, em seguida, quebrava a cabeça com os exercícios. "Todo dia, eu planejava as matérias que ia estudar", conta.

Para o rapaz, prestar atenção nas aulas também faz a diferença. No entanto, a correria era só de segunda a sexta. "Fim de semana é para descansar", defende. O aluno foi liberado da escola por conta das boas médias e após passar por duas provas. Conseguiu a declaração de conclusão do ensino médio na Secretaria de Educação do Distrito Federal e já está matriculado na UnB.

Disciplina faz a diferença Ana Clara de Sousa Nunes, 17, medicina 2º lugar no câmpus do Plano Piloto "Decidi no meio do 3º ano que queria medicina, mas até então não estudava nada, só para passar na escola", confessa a sorridente Ana Clara, que terminou o ensino médio em 2008 e decidiu se preparar melhor para o vestibular num cursinho.

A vida da moça mudou radicalmente. "Tive que estudar muito, não saía, não fazia nada, só estudava, de domingo a domingo", lembra. Das 7h a 12h50, ela estava em sala de aula. Depois ia para casa, onde ficava sozinha à tarde, almoçava e estudava das 14h às 21h. Só parava para lanchar e jantar. No fim de semana, tinha aula no sábado de manhã e resolvia um simulado à tarde.

Domingo era dia de não acordar tão cedo, porém estudava a tarde toda. "Acho que saí umas cinco vezes durante todo o semestre, somente para aniversários". Foi difícil no começo, já que Ana Clara não estava acostumada a estudar tanto. Depois, tinha certeza de que era isso que queria e nem atrapalhou mais.

Física e biologia foram as apostas de Ana Clara, que resolveu provas anteriores simulando o tempo permitido pela UnB. Mas a caloura dá um conselho: "Não é bom fazer a prova antes de saber a matéria porque você nem sabe o que está fazendo". No final do cursinho, ela resolveu abandonar as aulas porque estava ficando estressada com a concorrência. "Todo mundo queria medicina", conta.

A alternativa ajudou muito o lado psicológico da moça. ?Fiquei bem tranquila na hora da prova?, diz, ao destacar que isso é fundamental para o sucesso no dia do vestibular. Candidata obstinada Manuela Cristina Adorno Sousa, 19 anos, medicina 3º lugar no câmpus do Plano Piloto Insistir no ensino público.

Eis o objetivo de Manuela durante o último ano. Ela já havia prestado vestibular para a UnB anteriormente, não conseguiu passar, entrou em uma universidade particular, cursou seis meses de medicina e resolveu trancar a matrícula para continuar tentando. A meta era ser aprovada na Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs). "Nunca tive esperança de passar na UnB?, admite a caloura. Acho que já nasci querendo medicina, nunca cogitei outro curso," observa Manuela, que foi inspirada pela profissão dos pais. Sábado e domingo eram dias mais flexíveis.

No domingo ia à missa, dormia e es-tudava por mais três ou quatro horas. Na hora da prova, só pensava assim: "O que estudei, estudei, o que não deu, paciência, que Deus abençoe minha prova, me oriente para chutar a coisa certa e marcar mais do que eu saiba".

O segredo é a perseverança Henrique Carneiro Martins Ramos, 22 anos, farmácia 1º lugar no câmpus de Ceilândia Nos outros três vestibulares que prestou para a UnB, Henrique escolheu química como opção de curso. "Descobri que gostava muito de biologia e química, e o curso de farmácia une as duas coisas", ressalta, ao lembrar que o câmpus também fica mais perto de casa, já que ele mora em Taguatinga.

Há dois anos, Henrique matriculou-se em um cursinho e foi em frente com os estudos. Tinha aulões à tarde, aos sábados e alguns domingos. Mas, faltando dois meses para o processo seletivo da universidade, abandonou as aulas. "Conforme você fica mais experiente, só assistir aula não ajuda muito, sobrava pouco tempo para estudar", justifica.

Com o incentivo do irmão, formado em matemática pela UnB, começou a frequentar bibliotecas. Apesar de estudar nos fins de semana, o rapaz sempre valorizou o tempo livre para jogar videogame, namorar e sair com os amigos. No entanto, durante a preparação, abdicou de festas e de dormir tarde. A preocupação com a alimentação também foi determinante para Henrique. "Procurava comer coisas leves, pois tinha pouco tempo para almoço e descanso. Fazia isso para não bater o sono e atrapalhar os estudos."


O calouro confessa que saiu do ensino médio despreparado para enfrentar o vestibular. Segundo ele, o segredo para passar é a perseverança. "Eu era um péssimo aluno, tive que aprender a estudar". Uma mineira no pódio Patrícia Marçal, 17, engenharia 1º lugar no câmpus do Gama Moradora de Uberlândia (MG), Patrícia está no meio do 3º ano do ensino médio e resolveu fazer as provas da UnB como um teste, para acompanhar uma amiga que vinha para a capital federal.

"Este vestibular foi meio no susto, foi sem querer, era mais uma experiência para ter controle do tempo de prova," comenta. A preparação foi junto com outros quatro alunos da escola que viriam para Brasília. Ele se juntaram e pediram ajuda para os professores.

"Leitura ajuda muito na parte de interpretação e escrita", ensina. A aluna afirma que gosta muito de estudar e de aprender. "É um incentivo familiar, desde pequena", observa. Mas passar para engenharia não foi por acaso. Patrícia já estava acostumada com o ritmo puxado na escola, que cobra bastante dos alunos e exige um nível alto nas provas.

À tarde, estudava em casa para o colégio e, em maio, ingressou em um cursinho. Barrado pela escola Phellipe de Sousa Oliveira Araújo, 17 anos, gestão do agronegócio 1º lugar do câmpus da UnB em Planaltina "A dica que eu dou é ter tranquilidade e fazer as questões que tem certeza, sem chutar. Acho que passei por causa disso, não estava preocupado", destaca. Aluno do 3º ano de uma escola particular em Planaltina, o rapaz conta que não se preparou muito para o vestibular.

"Fiz a prova com o conhecimento que eu tinha", afirma Phellipe. Ele prestava atenção nas aulas, estudava cerca de duas horas por dia e tirava os fins de semana para descansar. No dia da divulgação da lista dos aprovados, estava em casa e garante que nem lembrava que o horário de divulgação do resultado do vestibular havia sido antecipado para as 14h. Soube da colocação ao receber um telefonema do Cespe.

Em seguida, foi ao câmpus do Plano Piloto para comemorar com a família. Phellipe seria o primeiro da família a ingressar na UnB, mas viveu o drama de não ter sido liberado pela escola para fazer a matrícula na universidade. O argumento do colégio é que o aluno não tem média em todas as matérias para obter a liberação. O sonho terá de ser adiado por mais alguns meses.