O novo formato do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com a distribuição do conteúdo escolar em quatro grandes blocos (Lin­gua­gem e Códigos; Matemática; Ciências da Sociedade; e Ciências da Natu­re­za), não será novidade para parte dos alu­nos do Instituto Federal do Para­ná (IFPR), a antiga escola técnica da UFPR.

A instituição implantou em agosto do ano passado, em caráter experimental, um modelo de ensino baseado na integração entre disciplinas afins, no câmpus Paranaguá. Segundo Luciana Milcareka, diretora de ensino do câmpus, a ideia é que os professores planejem, executem e avaliem suas aulas de forma articulada com núcleos centrais.

A metodologia segue não apenas a configuração do novo Enem, mas tam­­bém a proposta apresentada es­­te ano pelo Ministério da Edu­cação (MEC) ao Conselho Na­­cional de Edu­­cação (CNE), sugerindo a alteração do currículo do ensino médio nas escolas públicas. A intenção do MEC é que as escolas organizem atividades de artes para ampliar a formação cultural do aluno, desenvolvam projetos que aliem teoria e prática, valorizem a leitura em todos os campos do saber e promovam a conexão entre diferentes disciplinas.

Segundo Luciana, um dos primeiros passos para promover a interdisciplinaridade foi nomear um coordenador para cada uma das quatro grandes áreas do conhecimento. Ela explica que a área de Ciências da Natureza integra os conteúdos de Física, Química e Biologia, enquanto a área de Ciên­cias da So­­cie­­dade reúne a História, a Geo­grafia, a Filosofia e a Socio­logia. Lin­guagem e seus Códigos inclui Lín­gua Por­tuguesa, Língua Es­­trangeira Mo­­derna, Educação Física, Artes e Literatura.

A diretora ressalta que ainda há um professor para cada disciplina e um mesmo docente não é obrigado a dominar os conteúdos de vários campos do saber (Física e Química, por exemplo). A diferença, de acordo com ela, é que eles trabalham com temas e projetos integradores. “A área de Ciências Humanas, por exemplo, realizou recentemente uma aula na Serra da Graciosa. Os professores de Filosofia, Sociologia, História e Geografia, junto com um professor de Biologia, unificaram seus conteúdos dentro de um único projeto”, afirma. Luciana explica que por enquanto a grade curricular está separada por disciplinas, mas a intenção é dividir os horários das aulas por áreas de conhecimento já a partir deste semestre. “Na aula de Ciências da Natureza, pode ser que uma professora de Geografia queira ficar quatro horas com os alunos, ou que seja organizada uma aula em conjunto com outros professores”, exemplifica.

Estudantes aprovam a nova metodologia

Laísa Viegas Lopes, 15 anos, aluna do Técnico em In­­for­mática Integrado ao Ensino Médio, explica que professores de diferentes disciplinas costumam escolher um tema em comum para discutir com os estudantes. “Na área de Hu­­manas (Ciências da Socie­dade), por exemplo, os professores de História e Filosofia podem trabalhar em cima de um mesmo texto, expondo um mesmo tema de maneiras diferentes. Eles dão uma aula mais dinâmica e é bem mais interessante”, avalia.

Estudante do Técnico em Logística Integrado ao Ensino Médio, Tatiana Mayumi Toyo­fuku, 16 anos, também avalia de forma positiva o diálogo entre as diferentes disciplinas. Ela conta que os professores também buscam aliar o trabalho em sala de aula com atividades práticas experimentais. “No dia 4 de maio nós participamos de uma aula de campo na Serra da Graciosa e na cidade histórica de Morretes sobre a cultura regional do Litoral paranaense. Relacionamos conteúdos de Sociologia, Filosofia, História, Biologia e Geografia”, explica.

Os professores de Geografia e Biologia falaram sobre o solo, os rios e a vegetação local, e os professores de História e Sociologia discorreram sobre a arquitetura colonial de Mor­retes. Em Filo­sofia, as lições foram sobre um artista da região. Antes da viagem, cada professor trabalhou em sala de aula os conteúdos teóricos relacionados ao tema geral. “Agora cada grupo de alunos terá de fazer um relatório. Meu grupo fará um sobre a parte histórica. Depois teremos que apresentar um seminário sobre o assunto para a escola toda”, explica a estudante.