Uma comissão formada por 15 representantes das escolas públicas e particulares de Uberlândia e da região do Triângulo Mineiro vai a Brasília nesta semana tentar uma audiência com o ministro da Educação, Fernando Haddad.

Eles querem o adiamento por pelo menos 15 dias das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcadas para os dias 3 e 4 de outubro. O principal motivo que usarão para convencer o ministro Haddad a alterar o calendário será o atraso de duas semanas na retomada das atividades escolares no segundo semestre, em milhares de escolas do País, devido às medidas de prevenção a Influenza A (H1N1).

O assunto foi discutido na sexta-feira passada em uma reunião com professores, diretores e membros dos Sindicatos Único dos Trabalhadores da Educação (Sind-UTE), dos Professores (Sinpro-MG) e o deputado federal e vice-líder do governo no Congresso, Gilmar Machado (PT).

O parlamentar comprometeu-se a agendar a audiência para quarta-feira (19) e ainda mobilizar a participação de outros deputados que representam os estados do Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul que, segundo o deputado, também adiaram o retorno das aulas por causa da gripe A.

“Vou procurar a presidente da Comissão de Educação [e Cultura] da Câmara dos Deputados, Maria do Rosário (PT-RS), que é do Rio Grande do Sul onde também há vários municípios que tiveram as aulas suspensas em virtude da gripe A para fazer um pleito conjunto”, disse Gilmar Machado.

Questionado se a alteração da data não traria prejuízos financeiros ao Ministério da Educação, o vice-líder do governo no Congresso disse que o prejuízo não será apenas da União. “Todas as escolas públicas e privadas tiveram custo com a paralisação; são contingências de um problema de saúde pública e na emergência [o governo] tem que fazer”, disse.

Atraso das aulas desequilibra disputa

Diretores e professores das escolas estaduais e particulares afirmam que o adiamento das aulas por 15 dias em decorrência da gripe A vai dificultar o desempenho dos alunos para responder às 180 questões do Enem. Segundo a coordenadora do Sind-UTE, Elaine Cristina Ribeiro, o conteúdo programático das escolas públicas mineiras prevê a aplicação de nove conteúdos durante o ano e o Exame Nacional vai cobrar 12 conteúdos.

“Isso será desleal, além de termos que correr para ensinar todo o conteúdo exigido pelo Enem, teremos um tempo menor que as escolas públicas e particulares de outros estados que não paralisaram as aulas por causa da gripe A”, afirmou.

“Além disso, o ministro Fernando Haddad já provou que é aberto ao diálogo e, como esta é uma questão que preocupa pais, alunos, professores de instituições de todo o País, acreditamos que ele vai levar em consideração o pedido”, disse a diretora regional do Sinpro-MG, Rossana Abbiati Spacek.