Não são apenas os profissionais que têm coragem de sair de suas casas para morar em outro estado, quando são aprovados em concursos públicos. Buscando futura realização profissional, os mais jovens encaram uma mudança radical em suas vidas, por não terem o curso dos sonhos no local onde moram.

Oceanografia, Relações Internacionais e Engenharia Mecatrônica são alguns exemplos de graduações que não são ofertadas pelas universidades e faculdades de Teresina. Mas isso não desmotiva alguns estudantes que estão determinados a seguir seu desejo pessoal.

Além de terem que morar longe dos pais, em um estado diferente, muitas vezes com costumes e culturas diferentes, os estudantes precisam encarar logo no início, quando ainda tentam uma aprovação no vestibular, uma prova distinta do que costumavam ver no Piauí. Para concorrer a uma vaga fora do Estado, os estudantes têm que ler obras literárias regionais, conhecer o nível de questões adotadas no local e enfrentar uma concorrência arrasadora.

Os estudantes Felipe Mapurunga e Ana Luísa Sobral já estão cientes deste desafio, mas não se inibiram quanto aos sonhos. Felipe, 17 anos, quer estudar Engenharia Mecatrônica na Universidade Estadual de Fortaleza. E Ana Luísa, ainda com 15 anos, já está decidida a se graduar em Relações Internacionais, pela Universidade de Brasília (UnB).

“Pode até ser difícil, mas a meu ver vai valer a pena porque é uma coisa que quero muito”, acredita Felipe, que planeja morar com uma tia em Fortaleza. Quanto à distância de casa, ele se tranquiliza pelas promoções feitas frequentemente pelas empresas de transporte aéreo: “Fortaleza não é tão longe e posso aproveitar as promoções que tem de vez em quando para visitar a família”, espera.

Engenharia Mecatrônica é um curso que integra mecânica, eletrônica e tecnologias da informação, tudo pelo qual Felipe é apaixonado. No Piauí, o estudante poderia ter acesso a outros cursos da
área da Engenharia, mas não se sentiria satisfeito, assegura.

Ana Luísa também não quer fazer nenhum curso que chegue apenas perto do seu sonho. O que ela quer mesmo é estudar Relações Internacionais, tanto que no início de 2010 planeja ir para Brasília participar de uma simulação das Nações Unidas, em que jovens têm a oportunidade de serem embaixadores por um dia.

“Eu já pesquisei sobre o curso e achei muito interessante. Já tinha pensado também em fazer Direito, mas é um curso muito comum, todo mundo faz Direito. Eu quero algo diferente”, diz, certa da carreira que pretende seguir, mesmo estudando ainda o primeiro ano do Ensino Médio.

Se tudo der certo, Ana Luísa deverá morar com parentes em Brasília, e não sente medo das dificuldades que irá enfrentar no local: “Acho que vou gostar”, acredita.