A prova de português dos concursos da Funrio privilegia o conhecimento das regras em detrimento da interpretação. A constatação é da professora de português do Orvile Carneiro Rita Coutinho Sarmento, que fez um levantamento das provas da Funrio, Fundação Carlos Chagas, Fundep, Fumarc, Cesp/UnB e Esaf no período de julho de 2007 a julho de 2008.

Foram analisadas pela professora 22 provas de português. "A prova da Funrio é bem diferente do conjunto das outras instituições. Ao mesmo tempo faz uma cobrança tradicional e contemporânea", afirma. A prova pode ser considerada tradicional, pois cobra questões relacionadas a classificação de orações, encontro consonantal, dígrafo e acentuação gráfica, conteúdos da gramática normativa. Ao mesmo tempo exige conhecimentos sobre linguística pessoal aplicada, neologia lexical (formação de palavras), assuntos da gramática reflexiva.

A professora chama atenção para o fato de a banca examinadora da Funrio conseguir elaborar questões abrangendo todo o conteúdo apresentado no edital. Outro diferencial em relação a outras bancas examinadoras é a cobrança da estilística, ramo da linguística que estuda a língua na sua função expressiva. A cada grupo de 15 questões, duas são referentes a função e figuras de linguagem.

"Eles dão um poema e pedem ao candidato que diga se há um anacoluto." O termo quer dizer período iniciado por uma palavra
ou locução, seguida de pausa, que tem como continuação uma oração em que a palavra não se integra sintaticamente O português é o diferencial nos concursos públicos. As questões costumam valer o dobro de outras disciplinas e, na maioria dos processos seletivos, o candidato precisa fazer uma redação.

"A nota do texto pode mudar a colocação de um candidato. Se ele estiver entre os últimos na prova objetiva, mas, se fizer uma nota melhor na redação, pode passar os concorrentes", completa. Leia na semana que vem as dicas da professora sobre a prova de português da Fundação Carlos Chagas.