Investigar e revelar as características de mares, rios, lagos e oceanos, este é o papel do profissional formado em oceanografia, área que ganha cada vez mais destaque no mercado de trabalho brasileiro devido à crescente necessidade de empresas de vários setores em desenvolver suas atividades de forma sustentável, sem causar danos ao meio ambiente.

Mas gostar do mar não basta para atuar na área. Conhecimentos de mergulho marinho e muita dedicação ao estudo da matemática, física, química, biologia e geologia são fundamentais.

Para ingressar nessa carreira, o curso de graduação em oceanografia não é o único caminho. Profissionais formados em ciências biológicas também podem se especializar na área. “Um biólogo pode atuar em pesquisa de oceanografia biológica, seja com abordagem ecológica, toxicológica ou fisiológica”, destaca a professora do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Marta Marques de Souza, também doutora em fisiologia geral, com tese em fisiologia de animais marinhos. “O estudante de ciências biológicas formado pela UEL está capacitado ao exercício do trabalho profissional em todas as dimensões do que se supõe domínio da natureza do conhecimento biológico.”

Alguns ex-alunos da UEL já se especializaram na área. Foi o que fez o casal Bruno Welter Giraldes e Amanda Engmann Giraldes, mestres em oceanografia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFRPE). Bruno usou a experiência que já possuía como instrutor de mergulho para se dedicar ao estudo de crustáceos de hábitos noturnos em cavernas subterrâneas e ajudou a desenvolver técnicas de monitoramento ambiental marinho.

“Em um ano anotei 26 novas ocorrências de crustáceos de período noturno, o que revela que no País, ainda hoje, muito pouco se sabe sobre os oceanos”, afirma Bruno. “A oceanografia é uma área em expansão que precisa de gente especializada e, principalmente, com vontade de trabalhar porque, no Brasil, a ciência ainda é descritiva, enquanto na Europa ela é experimental.” “Quero usar os conhecimentos que adquiri no estudo da oceanografia no desenvolvimento de tecidos sustentáveis”, conta Amanda, mulher de Bruno, que agora cursa a faculdade de design.

Área avançou com incentivo à pesquisa

Graduada pela UEL, com mestrado e doutorado em oceanografia biológica pela Fundação Universidade do Rio Grande (FURG), Indianara Fernanda Barcarolli trabalha atualmente no Rio Grande do Sul no projeto que estuda a qualidade das águas do estuário da Lagoa dos Patos. No mestrado e no doutorado, Indianara estudou a toxicidade do cobre em animais marinhos.

“Quando fazia biologia na UEL, eu trabalhava com toxicologia de peixes de água doce. Sempre tive interesse em trabalhar com organismos marinhos, estar mais perto do mar”, afirma ela. “Hoje, os estudos sobre toxicidade estão mais avançados e muitos trabalhos com diversas espécies estão sendo feitos. Na FURG, nosso grupo de pesquisa trabalha com diversas espécies, como peixes, crustáceos e moluscos, em especial com a toxicidade do cobre e seus mecanismos fisiológicos.”

Durante a especialização, Indianara teve apoio financeiro e suporte do laboratório da instituição, além do financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Associação Internacional do Cobre (ICA).

“A oceanografia vem crescendo bastante, tem muito apoio para pesquisa e muitas áreas de atuação, como por exemplo, pesquisas com animais na física e geologia", aponta Indianara. “Nesta área, é super importante uma pós-graduação, pois em concursos públicos, usualmente pedem que o candidato tenha, no mínimo, mestrado e, para docência em universidades, é necessário apresentar o título de doutor."

Ainda de acordo com a bióloga, o avanço na área da oceanografia no Brasil deve-se aos órgãos de fomento de pesquisa, que contribuíram para o financiamento de estudos nesta área. “Grandes centros de pesquisa que já vinham trabalhando na área têm aumentado suas pesquisas e os que estão começando, ou que tinham poucos recursos, estão tendo maior incentivo para desenvolver projetos”, destaca Indianara. “Muitos pesquisadores brasileiros são respeitados no exterior, sendo diversas vezes convidados para mostrar os resultados obtidos em pesquisas feitas no País em congressos internacionais.”

Possibilidade de estágios ainda na graduação

Bruno Welter Giraldes é mestre em oceanografia pela (URFPE) e atualmente é doutorando da área na instituição. Além disso, é instrutor de mergulho e monitor associado da Professional Association of Diving Instructors (PADI), instituição internacional que está entre as mais respeitadas e cobiçadas no credenciamento de mergulho autônomo do mundo.

“Os interessados têm uma área muito promissora na oceanografia com um leque de oportunidades, já que ainda na faculdade é possível fazer estágios nas férias”, destaca Giraldes, que recruta alunos de Londrina para trabalhar como estagiários em Fernando de Noronha, onde atualmente desenvolve uma das atividades de turismo aquático. “A área de conservação marinha no País ainda tem muito o que crescer porque na maioria das vezes, apenas extraímos do oceano. Assim, técnicas de cultivo marinho podem ser desenvolvidas por profissionais da área, basta batalhar por mais incentivos e se lançar à atividade.”

Os interessados em fazer um estágio supervisionado por Bruno podem se candidatar pelo e-mail divesul2@hotmail.com.

Exploração de petróleo é atividade rentável

O Brasil hoje se destaca como um dos principais países de exploração petrolífera marinha do mundo e, de acordo com Bruno Giraldes, avanços nessa área são consequência, principalmente, da atuação de oceanógrafos. “Quem trabalha nessa área consegue uma excelente remuneração porque é o estudo dos foraminíferos que indica a presença de petróleo em regiões oceânicas”, aponta Giraldes.

Os foraminíferos são seres minúsculos marinhos, muitos deles recobertos por uma concha, que quando analisados em microscópio podem conter manchas de petróleo, o que ajuda na identificação de regiões onde há presença desse recurso natural. “A atuação em grandes empresas é uma das alternativas mais rentáveis”.