Com 4,5 milhões de inscritos, o Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) se transformou na porta de acesso às universidades e, em 2010,
pode passar por mais uma transformação.
Em Porto Alegre, onde
veio participar de um seminário com as escolas privadas, o diretor de
Avaliação Básica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais (Inep), Heliton Ribeiro Tavares, admitiu que a prova pode
se tornar obrigatória a partir do próximo ano.
– O conselho que
reúne as secretarias de educação estaduais já solicitou estudo para
tornar o Enem obrigatório. Vamos responder no próximo ano se é possível
ou não. Não sei se será possível, pelo menos a curto prazo – disse
Tavares.
O novo Enem será aplicado nos dias 3 e 4 de outubro em
mais de 1,8 mil municípios brasileiros. Como preparar os alunos e
conseguir ajustar a metodologia ao novo exame virou questão de ordem
para os professores. Para ajudar a entender a mudança, o Sindicato do
Ensino Privado (Sinepe) do Estado realiza hoje, a partir das 8h30min,
na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul um seminário.
Entrevista: Heliton Tavares, diretor do Inep
Zero Hora conversou com o diretor do Inep, Heliton Tavares, no sábado, por telefone. A seguir, trechos da entrevista:
Zero Hora – Por que o Ministério da Educação teve pressa para implementar a mudança?
Heliton Tavares –
Não tivemos pressa. A exigência de uma aplicação imediata nem partiu no
MEC, mas da sociedade. O Ensino Médio há muito tempo estava precisando
de uma mudança deste tipo. Estávamos a mais de um ano em um nível
avançado de discussões e decidimos fazer de uma vez.
Zero
Hora – Com a nota do Enem valendo como única forma de ingresso em
universidades federais, a preocupação com a fraude aumentou muito. Como
vai ser a fiscalização em cada sala de aula?
Tavares –
O Inep é o gerente do processo. Houve a contratação de um consórcio de
empresas. Teremos 350 mil pessoas para trabalhar nos dias de prova.
Isso garante pelo menos duas pessoas em cada sala, além de fiscais
externos e coordenadores. O Enem já é a maior prova aplicada no Brasil.
Neste ano, teremos meio milhão a mais do que o ano passado, mas a
estrutura já estava montada. Claro que, neste ano, os cuidados estão
sendo muito maiores e a seriedade do processo tomou uma dimensão
enorme. Mas a logística estava montada.
Zero Hora – Como será a divulgação dos resultados para alunos e escolas?
Tavares –
As escolas vão saber como estão os alunos em cada habilidade medida
(são 30 por área). Em uma escala de proficiência, vamos informar a
média dos alunos por escola, dentro das faixas de conhecimento e até
com um percentual por faixa. Vamos gerar informação suficiente para que
possam comparar suas metodologias em relação as outras. O estudante
terá seu desempenho medido por uma pontuação. A média valerá 500
pontos, com desvio padrão de cem pontos. Além disso, vai saber também o
que conhece em cada área.
Zero
Hora – O Enem poderá se tornar obrigatório em 2010?
Tavares –
O conselho que reúne as secretarias estaduais de Educação
Zero Hora – Em que o exame avança?
Tavares – Ela aproxima o Ensino Médio da universidade e consegue medir o desempenho das escolas. Antes era a experiência dos alunos que, contava. Com isso, passa a ser um orientador do Ensino Médio e o coloca na mesma mesa das universidades, coisa que há muito tempo não se conseguia no Brasil. Esses grupos, juntos, agora vão fazer propostas de mudanças. Estamos formando um grupo para verificar toda a estrutura do Enem e propor mudanças. Ele será formado por professores da educação básica, das universidades e institutos federais e de universidades estaduais e particulares. Queremos discutir e aprimorar o exame sempre, a cada edição. É um processo de construção.
Zero Hora – O Inep está preparado para o sistema de seleção que promete atender milhões de estudantes online?
Tavares – Esperamos 4 milhões de acessos simultâneos. Estamos investindo em uma megaestrutura, maior do que a da Receita Federal. Qualquer problema de internet pode colocar tudo a perder. Durante as inscrições, chegamos a 221 mil acessos simultâneos e deu tudo certo.


