O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que surgiu há dez anos como instrumento de avaliação dos estudantes de escolas públicas e particulares do país, este ano foi adotado como forma de ingresso parcial ou total em diversas universidades e instituições brasileiras de ensino superior. E a prova esse ano é aguardada com grande expectativa, uma vez que professores e estudantes acreditam que o exame deve apresentar um maior grau de complexidade das questões.
Tópicos, como história cultural dos povos africanos, diversidade cultural no Brasil e políticas afirmativas serão explorados na prova. No Brasil, o total de 4.576.126 estudantes farão o exame, sendo 66.402 inscritos na Paraíba.
Para os defensores do Enem, a prova vai além do modelo dos vestibulares praticados pelas universidades brasileiras. Mais do que o acúmulo de conhecimento dos estudantes, a prova avalia a aplicabilidade desses conhecimentos. Na lógica do Enem, as escolas devem cumprir o papel de ensinar para a vida, e não para o vestibular. No entanto, há pouco mais de um mês para a realização do exame – que será aplicado nos dias 3 e 4 de outubro -, será que escolas, professores e estudantes estão preparados para enfrentar essa nova realidade, aqui na Paraíba?
O assunto é discutido diariamente entre todos os que estão envolvidos no ensino médio. O trabalho maior no início desse processo de mudança está reservado para os coordenadores pedagógicos das escolas, que devem incorporar uma nova formação para os alunos, o que envolve também uma maior integração entre os professores. A interdisciplinaridade é traço mais forte do Enem: “Nós temos conversado sobre o Enem nos nossos encontros pedagógicos, mas ainda não colocamos tudo em prática, pois, como as questões são interdisciplinares, isso requer tempo para a elaboração e mais encontros entre professores de disciplinas diferentes”, explica o coordenador pedagógico do terceiro ano do Colégio Geo Tambaú, Guilherme Hentel.
O professor de matemática, Ambrósio Elias, dono de um cursinho aqui da capital, indica as mudanças trazidas com o Enem: “Esse é um estilo de prova que tem dois aspectos: a contextualização e a interdisciplinaridade. Não há mais questões específicas de uma só disciplina, por exemplo, não há mais questões de matemática pura. Então, se o professor não pesquisar e verificar bem os tipos de questões, ele estará morto, em termos de vestibular”, observa o professor, estendendo essa preocupação aos estudantes: “Há um perfil muito mais crítico na prova e isso precisa ser implantado no ensino das nossas escolas”, apontou.
Outra disciplina fundamental para os vestibulares e concursos é o português. E a cobrança do conteúdo da disciplina nos vestibulares é provavelmente a primeira matéria que passou por reformulações. No caso, o professor de português Diego Cirne acredita que a interpretação do texto é ponto principal utilizado em praticamente todas as questões do Enem: “O Enem só vai intensificar ainda mais essa tendência de análise das questões”, disse Diego Cirne, que defende que a formação de um pensamento crítico e interpretativo se adquire através do hábito da leitura.
Provas
ocorrem em outubro e em abril
O Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), o antigo Cefet, adotou o Enem como
forma de ingresso total nos cursos superiores nas unidades que existem em nove
municípios paraibanos. O pró-reitor de ensino do IFPB, Paulo de Tarso, explicou
que a prova já era utilizada como forma de ingresso parcial ao longo dos anos,
mas que a partir desse ano, com a indicação do Ministério da Educação (MEC), o
Enem foi implantado como ingresso total. A mesma opção foi adotada por mais de
60 instituições, seja de forma integral ou parcial.
“Uma prova será realizada em outubro para a seleção dos estudantes para o primeiro semestre, devendo ocorrer uma nova prova por volta de abril, para o preenchimento das vagas do segundo semestre letivo”, observou Paulo de Tarso. O IFPB oferece aos estudantes cursos técnicos integrados, cursos técnicos subseqüentes e os cursos superiores em tecnologia, licenciatura, bacharelado e engenharia.
BOX:
O que o estudante deve saber antes da prova, dentro dos aspectos de interdisciplinaridade e contextualização:
MATEMÁTICA
- A análise de gráficos;
- Análise combinatória e probabilidade;
- Funções;
- Geometria.
Dicas: Professor Ambrósio Elias
PORTUGUÊS
- Interpretação de texto;
- Reconhecimento de estilos literários;
- Leitura de textos contemporâneos;
- Análise visual de quadros e charges.
Dicas: Professor Diego Cirne


