Para 70% dos estudantes, o conjunto de disciplinas da área de Exatas é uma tremenda dor de cabeça. A estimativa, da coordenação de um colégio que trabalha exclusivamente com preparação para o vestibular, mostra que o bicho-papão desenhado pelos candidatos tem sido uma barreira que impede um melhor desempenho nas provas dos Processos Seletivos Seriados. Este ano, o cenário não mudou. No entanto, entrar em desespero, acreditando que não pode vencer o desafio, não é a solução.

Especialistas garantem que, se houver um plano de estudos bem articulado, é possível conseguir abordar todas as matérias até a data do concurso e ter um excelente rendimento no aprendizado. A área de Ciências Exatas e Tecnológicas exige uma maior concentração em disciplinas de cálculos. O grupo é composto por Química, Física e Matemática, as quais possuem um maior peso na hora da avaliação da comissão do vestibular.

Segundo o coordenador pedagógico da 3ª série de uma escola particular de João Pessoa, Guilherme Hempel, o nível de acerto nas matérias de exatas é menor se comparado a outras disciplinas, a exemplo de Geografia, Biologia e até mesmo Português, mesmo em relação a estudantes que concorrem a algum curso da área. Candidatos de humanas sentem ainda mais dificuldades ao lidar com questões de cálculos.

Para driblar essa deficiência, o estudante precisa se dedicar à prática, destinando o máximo de tempo de preparação à resolução de questões. Fazer exercícios faz uma grande diferença para memorização, dizem os educadores. Além de aumentar o número de acertos, o candidato adquire rapidez para resolver os quesitos do PSS com mais agilidade, já que o tempo interfere no estado emocional e consequentemente nos resultados finais.

“Esse grupo de disciplinas requer mais esforço dos alunos. É preciso muito treino e, para ajudá-los, a escola aplica simulados nos mesmos moldes utilizados no Processo Seletivo Seriado da UFPB”, ressalta Hempel. De acordo com o coordenador, 70% dos mais de 1,4 mil alunos da unidade de ensino em que trabalha são aversos a Matemática, Física e Química.

“Mesmo alguns daqueles que optam pelos cursos da área de tecnologia apresentam um determinado grau de dificuldade ao absorver habilidade nessas matérias”, comenta. É tanto que muitos deles complementam a preparação através de aulas extracurriculares, ou seja, cursos preparatórios em disciplinas específicas.

Recorrer a um cursinho de Física e Matemática foi a alternativa encontrada
pela candidata Yanara Enéias Bernardo, de 18 anos, que cursa a 3ª série e está apostando todas as fichas para conseguir a vaga no curso de Engenharia de Materiais na Universidade Federal da Paraíba ou em Biologia, na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

Nos PSS 1 e 2, a nota nas duas matérias não foi a considerada ideal pela estudante. Nas provas do segundo ano, no PSS 2009, Yanara obteve nota zero em Física. O jeito para sair da situação desfavorável foi alterar a metodologia de estudos e esperar para que a média no conjunto das provas seja suficiente para entrar na faculdade.

“Desde o início deste ano, passei a estudar mais, passando cerca de quatro horas diante dos livros e abdicando de diversas atividades com a família. Também entrei no curso preparatório e vi que o nível de aprendizagem aumentou bastante. Estou confiante que vai dar tudo certo”, conta a candidata, reconhecendo que não gosta de física, mas o curso de engenharia a atraiu e portanto vai arriscar. “Fiz o teste vocacional e essa é mesmo a minha área. Tive sondando o mercado e percebi que o salário também é bem legal”, justifica.