Por: Dourados Agora
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (15) o Projeto de Lei
4881/09, do deputado Gilmar Machado (PT-MG), que dá desconto nas
mensalidades do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior
(Fies). A matéria, aprovada com substitutivo do deputado Reginaldo
Lopes (PT-MG), ainda será votada pelo Senado.
Segundo as novas regras, os estudantes terão direito a 1% por mês de
abatimento sobre o saldo devedor do Fies se exercerem a profissão de
professor da rede pública ou de médico do programa Saúde da Família. Um
regulamento definirá o número de estudantes que poderão ser
beneficiados com esse desconto, mas o projeto já define que 75% deles
deverão exercer a profissão em estados das regiões Norte, Nordeste e
Centro-Oeste.
Requisitos
Para
aproveitar o desconto, o estudante que der aula na rede pública de
educação básica precisará cumprir jornada mínima de 20 horas semanais e
ter concluído ou estar cursando a licenciatura. Os médicos
recém-formados atuarão em áreas com carência e dificuldades de retenção
desses profissionais, conforme definido pelo Ministério da Saúde.
Para
eles, outro benefício concedido é o adiamento da carência para pagar as
parcelas de empréstimo enquanto cursarem residência médica considerada
como especialidade prioritária pelo ministério.Esse abatimento será
contabilizado anualmente, depois de um mínimo inicial de um ano de
trabalho, e os estudantes não precisarão pagar a prestação devida
durante o período em que conseguirem o desconto.
Impacto financeiro
O
impacto previsto pelo governo para 2010 com o abono no saldo devedor
dos estudantes dessas carreiras é de R$ 19,6 milhões. Em 2011, serão R$
17,3 milhões.O PL 4881/09 previa originalmente o mesmo desconto para
enfermeiros e dentistas, mas esses profissionais não permaneceram com o
benefício no texto aprovado porque, segundo o relator, isso poderia
comprometer a saúde financeira do Fies.
Como o regulamento do fundo
definirá a quantidade de recém-formados que poderão obter o desconto,
haveria uma concorrência maior entre os profissionais dessas carreiras
para conseguir o benefício, caso fosse mantida a estimativa de renúncia
de recursos do fundo.
Bancos sem risco
Outra medida
do substitutivo proposta pelo governo é o fim do risco para os bancos,
com o objetivo de estimular a sua participação no Fies como agentes
financeiros. Atualmente, apenas a Caixa Econômica Federal atua como
agente desses empréstimos, além de ser a operadora do fundo. Hoje, esse
risco é de 25% dos empréstimos não quitados.
A remuneração dos bancos
também muda - passa de até 1,5% para até 2%. O cálculo será feito sobre
o saldo devedor dos financiamentos concedidos, com base na taxa de
adimplência de cada agente financeiro.A Caixa deixará de ser o agente
operador do Fies, que passará a ser gerenciado pelo Fundo Nacional de
Desenvolvimento da Educação (FNDE). O projeto dá o prazo de um ano para
essa transição.
Dívidas atuais
Para melhorar o
perfil das dívidas dos estudantes que já usaram o Fies, Reginaldo Lopes
incluiu a incidência de qualquer eventual redução dos juros sobre o
saldo devedor dos contratos já existentes. Segundo ele, a redução será
para 3,5% ao ano, abaixo da inflação.Lopes rejeitou benefícios mais
abrangentes para os contratos atuais, com o intuito de preservar os
recursos do Fies. Porém, ele considerou justa a reivindicação dos
estudantes por juros mais baixos.
"Em audiência na Câmara, eles
mostraram indignação com a taxa de 9% ao ano para alguns contratos
atuais, mais alta que a Selic (8,75%), apesar da recente queda geral de
juros", lembrou.Além de juro menor, a ser definido pelo CMN, eles
poderão contar também com prazo maior de pagamento. Como o tempo de
conclusão do curso é variável, o prazo de pagamento concedido na lei é
o dobro desse tempo. No substitutivo, o período de amortização passa a
ser o triplo.