Com 32 anos de ensino, o professor de cursinho pré-vestibular Marcello Menezes, 50 anos, acredita na paixão como ingrediente-chave para o sucesso na área de matemática.

Para ele, não dá para entrar no mercado de trabalho se você não ama o que faz. A primeira frase que ele diz quando lhe perguntam como é ser professor é "você gosta?". Caso a resposta seja positiva, então é só colocar as mãos na massa, estudar e buscar se aperfeiçoar sempre.

O gosto de Marcello por ensinar matemática veio por conta de uma tia, que era professora. "Como estava sempre na casa dela e era bom na matéria, ela me colocava como monitor dos alunos", lembra.

Depois disso veio a monitoria na Universidade Federal de Pernambuco e o primeiro estágio, que acabou virando emprego. "Fui chamado para dar umas aulas no Contato. Tinha só 18 anos, mas como conseguia ensinar e manter a turma disciplinada, fiquei por mais tempo", conta Menezes, que de 12 aulas em um ano, passou para 35 no outro.

Depois do Contato, vinheram Santa Maria, Damas, Salesiano, Atual e tantos outros colégios de renome. Mas para se manter onde está, ele garante que a atualização foi fundamental. "Nunca me incomodei em dar muitas aulas, na verdade o professor precisa disso para formar seu salário. Mas faço isso com amor. Se parar de ensinar, paro de me divertir". Para o Guia de Profissões, Menezes fala um pouco sobre o mercado de trabalho e a importância de saber lidar com pessoas.

Qual o perfil esperado de quem faz o curso de matemática?

Quem procura matemática precisa, antes de tudo, saber lidar com pessoas. Quase sempre ele vai ser professor, então tem que ser sociável, ter uma boa comunicação, ter sensibilidade para perceber quando seu aluno não está bem, ser responsável com horários. Ele precisa se manter atualizado, não só em conhecimentos, mas também em conceitos. A cada ano é uma geração nova que chega, e se ele não se renova acaba ficando para trás.

Existe mercado de trabalho para quem faz matemática?

Existe mercado de trabalho sim. Hoje, quase todas as profissões lidam com matemática e precisam de um matemático. Agora, como é uma profissão bem ampla, tem umas áreas que geram mais oportunidades e outras menos. Estatística mesmo tem bastante oportunidade.

E como entrar nesse mercado de trabalho?

O bacharel tem que seguir direto para um mestrado e doutorado para se aproximar do mercado, da prática. E para ser professor é bom uma especialização na área que você vai seguir.

Qual é a faixa salarial desse profissional?

Isso varia muito. Na parte de ensino tem gente ganhando de R$ 6 a R$ 40 a hora aula. Depende se é professor de colégio estadual, privado, universidade, se está envolvido com projetos. Não existe uma faixa.

Qual o conselho que você daria para quem deseja começar?

Sempre me pergutam se fazer matemática dá dinheiro, se é bom, então vou repetir o que ouvi do meu pai há 30 anos: "Se você faz o que gosta, sempre fará bem feito e fazendo bem feito o dinheiro vem como consequência e você sempre estará feliz e se divertindo no trabalho". É isso que faço.

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Aos 81 anos o professor
e membro do Instituto de Matemática Pura e Aplicada Manfredo Perdigão do Carmo nem imagina o que teria sido se não fosse matemático.

Talvez engenheiro civil, primeira carreira que escolheu, mas acha difícil. Matemática para Perdigão não é profissão, é um vício, "uma neurose", como ele mesmo diz. Em 1946, Perdigão saiu de Maceió para estudar no Recife. "Achava que seria engenheiro civil. Fiz a faculdade, trabalhei na área, mas não sentia prazer. Não me identificava", lembra.

Para preencher o tempo livre, Manfredo decidiu que daria aulas de físicas. Gostou tanto do que estava fazendo, que largou de vez a engenharia. "Foi aí que nasceu na faculdade de filosofia da UFPE o curso de matemática", afirma.

Foi nessa mesma época que nascia o Instituto de Matemática do Recife, fundado por Luiz Freire. "Foi aí que decidi que já que não tinha feito faculdade na área, porque no tempo que fiz vestibular não tinha, eu iria fazer o doutorado na melhor instituição de matemática do mundo. Fui para Universidade da Califórnia, Berkeley", lembra.

Ao voltar para o Brasil, Manfredo ainda ensinou na UFPE até ser convidado para ajudar a fundar o curso de matemática da Universidade de Brasília e virar professor da Universidade Federal do Ceará. Referência em geometria diferencial, Manfredo diz que, apesar de aposentado, não pretende parar.