Faltam sete dias para as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em 3 e 4 de outubro. Apesar de estar sendo chamada de nova, a avaliação traz pouca novidade. A interpretação de textos continua sendo requisito fundamental para se dar bem no teste.

A conclusão é de professores e alunos que, a pedido do DC, analisaram questões do modelo novo, liberadas em julho pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

A coordenadora pedagógica da Escola Autonomia, Inaura Maria Belém, afirma que as questões continuam como eram: contextualizadoras e sem “decoreba”.

A escola ficou em primeiro lugar entre os colégios particulares do Sul do país, com a melhor nota no Enem em 2008. A coordenadora avalia que o resultado pode ser um reflexo da escolha dos conteúdos abordados durante o ensino médio:

– O colégio já trabalha com questões discursivas. Os conteúdos são abordados em projetos que procuram contextualizar as matérias. O terceiro ano acaba sendo apenas uma grande revisão. Os alunos já estão acostumados com questões interpretativas e contextualizadas.

O coordenador e professor do pré-vestibular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Otavio Augusto Auler Rodrigues, também afirma que as questões do novo Enem são bem semelhantes aos exames anteriores. Para ele, a principal alteração foi em relação à mobilidade dos alunos no país, já que, resolvendo uma única prova, o estudante pode escolher cinco instituições diferentes ou até cinco opções de cursos numa mesma universidade.

Na contrapartida das poucas alterações nas provas, outra novidade foi destacada no Enem. Ele ganhou peso maior nos vestibulares. Na UFSC, por exemplo, vai valer 20% da nota final. Por conta disso, o exame passou a receber atenção maior dos candidatos.

Além de estarem apreensivos com o Enem, muitos estudantes passaram a semana preocupados com a confirmação de inscrição, que ainda não havia chegado. As colegas de extensivo, Schaiane Neotti Citadin, 19 anos e Maoeva Naissa Paz Padilha, 24, estavam ansiosas para saber onde fariam as provas.

A gente até estava se questionando se a data do Enem estava confirmada mesmo – diz Maoeva.

Para Maoeva, a adoção do exame pelas universidades foi um avanço.

– Fiquei feliz porque tenho facilidade com esse tipo de prova, mais interpretativa. A maioria não gostou justamente por causa disso – completa a estudante, que vai prestar Medicina na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS).

A instituição aderiu 100% ao Enem, que será a única maneira de ingresso. O mesmo aconteceu na instituição escolhida por Schaiane, a Universidade Federal de Pelotas (RS), onde ela também pretende cursar Medicina.

– Tenho muita dificuldade com a interpretação de textos. Já fiz Enem antes e fui mal por causa disso. Também fizemos o simulado, e as questões exigem muita leitura. Às vezes me perco com tanto texto. O bom é que as respostas podem estar no enunciado – diz.