Pela primeira vez no mundo, estudiosos identificaram dois genes do ser humano que possuem proteínas capazes de ajudar no tratamento com a imunovacina de células dendríticas contra o vírus HIV

O mais novo avanço mundial no combate ao vírus da Aids foi anunciado, ontem, no Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Pesquisadores do Departamento de Genética da UFPE e do Laboratório de Imunopatologia Keiso Asami (Lika) identificaram dois genes do ser humano que possuem proteínas capazes de ajudar no tratamento com a imunovacina células dendríticas contra o vírus HIV. A vacina está sendo desenvolvida na universidade há oito anos. A grande novidade da descoberta é que pela primeira vez estudiosos se debruçam sobre o genoma humano para saber como um paciente não consegue reagir positivamente a uma tentativa de vacina contra a doença. A novidade, anunciada com exclusividade em Pernambuco, será apresentada em Paris, em 18 de outubro, durante o Congresso Mundial de Vacinas Profiláticas e Terapêuticas contra o HIV.

A pesquisa sobre o genoma teve uma motivação. Dos 18 pacientes voluntários que participaram da primeira fase dos testes da imunovacina desenvolvidos na universidade, 10 não responderam bem, enquanto oito tiveram sucesso, com redução de até 80% da carga viral, o que representa um bom controle imunológico. "Temos um paciente que passou até três anos sem tomar remédio", informou o médico Luiz Claudio Arraes, que participa dos estudos. A questão era saber o porquê de outros não conseguirem o mesmo resultado. A imunovacina foi aplicada em pacientes que nunca haviam tomado qualquer droga para combate do vírus e que eram HIV positivos, mas ainda não tinham apresentado sintomas da doença.

O geneticista Sérgio Crovella, titular do Departamento de Genética da UFPE, explicou que o genoma é apenas um dos aspectos que podem ser estudados no caso da Aids, mas apesar disso nunca havia sido pesquisado. "Na medida em que podemos identificar o contigente de pacientes infectados que respondem bem à imunovacina, aumenta a objetividade do tratamento, além de dar condições de projetarmos novas estratégicas terapêuticas vacinais", explicou.

A vacina em desenvolvimento na universidade é terapêutica, ou seja, poderá ser usada no tratamento de pessoas que já têm o vírus HIV para que elas não apresentem sintomas decorrentes da doença.

A partir do primeiro semestre de 2010, a pesquisa da UFPE entra na segunda fase. Nesse momento, haverá um total de 100 voluntários que serão selecionados depois de avaliações, inclusive, clínicas e psicológicas. A seleção ainda não tem data para acontecer. Crovella disse que se a constatação obtida
junto aos 18 pacientes se confirmar no universo dos 100, o avanço está confirmado. Em paralelo à descoberta, pesquisadores da UFPE também farão o trabalho de isolar a proteína que ajuda no tratamento com a imunovacina para fazer testes primeiramente em animais. (Marcionila Teixeira)

Aids em Pernambuco

- Desde 1983, quando foi registrado o primeiro caso de Aids em Pernambuco, mais de 12,8 mil pessoas foram infectadas pela doença

- Do total de casos confirmados, cerca de 8.600 são homens e aproximadamente 4,1 mil são mulheres

- Até hoje, quase 5 mil pessoas já morreram em decorrência do vírus HIV

- Pernambuco tem hoje 16 Centros de Orientação e Aconselhamento (Coas) espalhados na capital, Região Metropolitana e interior