É bem-vinda a notícia de que a qualidade da graduação está no centro das preocupações dos candidatos a reitor da USP, veiculada recentemente em jornais de circulação nacional. Ao contrário das demais atividades fins da universidade, a graduação vem enfrentando percalços diversos, não somente de identidade, bem como de aporte de recursos. Não obstante algumas iniciativas recentes de investimento em níveis estadual e federal para os cursos, especialmente para as licenciaturas, faz-se fundamental pensar em caminhos para a sustentabilidade desta atividade.

Grande parte dos cursos da UEL foram criados há mais de dez anos e precisam ser modernizados, em sentido amplo nos seus aspectos pedagógicos e administrativos. Como uma das atividades mais lembradas pela comunidade, os cursos de graduação envolvem um número significativo de servidores dedicados à formação do cidadão livre e emancipado, profissional disposto a assumir a luta por uma sociedade melhor.

O fortalecimento do cenário de ensino-aprendizagem dos cursos pode ser viabilizado por meio da inserção de tecnologias de comunicação e informação, técnicas e estratégias inovadoras e outras modalidades. A matriz curricular dos cursos, seja por referência a uma legislação editada pelo governo ou deliberada pela própria Instituição, pode exigir reformulações. Considerando que um currículo bom deve estar em processo contínuo de construção, essas exigências precisam de análises aprofundadas, troca de ideias com profissionais de outras instituições, como forma saudável de integração de saberes e experiências.

Portanto, obter melhorias nas condições de ensino, implementar atividades de estágio e intercâmbios, promover melhorias dos programas de tutoria e iniciação científica, dar amplo suporte às práticas de ensino, bem como oferecer respaldo pedagógico aos professores são necessidades que envolvem a destinação de recursos.

Neste contexto de quesitos específicos que precisam ser supridos, pensar em uma política de apoio aos cursos é uma possibilidade não apenas viável, mas imprescindível, visto que os colegiados têm o panorama sobre os problemas e as incertezas que dificultam o gerenciamento de cada curso.

Uma política de apoio pode efetivar-se, por exemplo, com recursos financeiros excedentes do vestibular, no todo ou em percentual. Trata-se de dar retorno aos próprios cursos que anualmente recebem os novos estudantes, numa perspectiva de permitir transparência no uso desse dinheiro. Quando recursos deste nível não têm uma destinação efetiva podem ficar à mercê de negociações, na penumbra de espaços universitários, privilegiando alguns poucos.

A destinação explícita do excedente do vestibular deve ser avaliada com serenidade, bem como com ousadia e competência. De forma alusiva e intencional, reafirma-se que a história deve tomar outro rumo, num gesto inédito de autonomia para a gestão dos cursos. O momento é fecundo e o debate está começando. Implantar uma política institucional de apoio à graduação significa sim carimbar dinheiro público, no sentido de particularizá-lo para um bem comum em benefício de tantos quantos tiverem a oportunidade de frequentar os bancos da nossa Universidade.