Para o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, o órgão precisará aumentar seu banco de questões, hoje com 2 mil Cinco ou mais provas com questões totalmente distintas em cada edição do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Em um fim de semana, seriam pelo menos 900 perguntas diferentes. Mesmo se houvesse um vazamento, a chance de um aluno decorar tantas questões seria mínima. O antídoto antifraude foi desenhado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), mas para ser implementado em 2010, e não neste ano.

Uma outra mudança é dar ao aluno a chance de realizar o Enem no mínimo duas vezes em um ano. Em outubro, ele faria a prova, cujos resultados poderiam ser usados nos vestibulares de fim de ano. E, em abril, para os processos de seleção de junho e julho.

Assim, o Inep acabaria com a pressão do "dia D" do vestibulando e indiretamente reduziria o número de inscritos por edição do exame. Essas duas medidas estão em estudo pelo comitê de governança do Enem, constituído por representantes do governo federal, secretários estaduais da Educação, universidades e institutos federais.

Elas ganharam ainda mais força depois da revelação de vazamento do Enem feita pelo jornal "O Estado de S.Paulo" na semana passada, quando dois homens tentaram vender a prova de 2009. O Ministério da Educação cancelou a prova a dois dias de sua aplicação.

Amanhã o comitê de governança do Enem se reúne extraordinariamente em Brasília para discutir a prova deste ano, a esta altura sem definição de datas e de quem vai imprimir os exames. Mas é esse grupo que tem a missão de sugerir as mudanças para as futuras edições.

Neste ano, o Enem ampliou o número de questões de 63 para 180. São quatro versões da prova, em que as 180 questões apenas mudam de posição. Também foi introduzido o sistema da Teoria da Resposta ao Item (TRI), que permitirá que provas distintas sejam calibradas e comparáveis. Para chegar a mais edições e provas diferentes, o Inep precisa ampliar o banco de questões.

Hoje são 2 mil, mas, para gerar vários exames em um ano, o número deve ser bem maior. Além disso, o MEC precisa convencer a sociedade de que é possível haver um processo de seleção em que candidatos são avaliados por exames diferentes. Neste ano, os candidatos farão a prova, levarão o gabarito, mas serão incapazes de calcular suas notas.

Pelo sistema TRI, as questões têm pontuações diferentes, das mais simples para as mais complexas. "Vamos ter provas comparáveis,
em escalas que comparo no tempo, e exames diferentes, em várias edições", disse o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes. "Minha ideia é acabar com essa prova de só uma vez por ano, que envolve 4 milhões de estudantes em um único dia. Se tiver provas diferentes, posso fazer em um mês com mais frequência, e acabamos com essa tensão enorme."

O objetivo do governo é ambicioso para o Enem, exame que surgiu em 1998 durante a gestão do então ministro Paulo Renato Souza com a concepção de ser um instrumento de avaliação individual dos alunos.

A atual gestão do MEC, tendo à frente do processo o ministro Fernando Haddad, quer que o novo Enem sirva de passaporte para que os jovens ingressem nas universidades ou no mercado de trabalho, certificando-os segundo seu desempenho.

Para as escolas, o resultado geral indicaria a qualidade do ensino. A ideia do Inep é fazer com que o Enem tome o espaço do vestibular, visto por secretários como um entrave para a reforma no ensino médio. Se isso ocorrer, as salas de aula daqui a alguns anos terão mais interpretação e menos decoreba.