Marcada para os dias 5 e 6 de dezembro, a nova data do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) vai coincidir com a segunda fase do vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que será realizado nos dias 6, 7 e 8 do mesmo mês. A UEL descartou a possibilidade de transferir o dia das provas. Com a decisão, os alunos que pretendiam prestar os dois exames terão que optar por um deles.

“Não vamos mudar a segunda fase. A gente lamenta. Enviamos um ofício para o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), informando as datas, tanto da primeira quanto da segunda fase, pedindo que eles considerassem”, disse a diretora da Coordenadoria de Processos Seletivos (Cops) da UEL, Elaine Fernandes Mateus.

Ao todo, serão 9 mil candidatos selecionados para a segunda fase da UEL, e pouco mais de 13 mil farão o Enem em Londrina, de acordo com a assessoria de imprensa do Ministério da Educação (MEC).

Elaine argumentou que as datas já foram programadas com antecedência. “Existe um calendário acadêmico em cima dessas datas. Não é nada simples adiar a prova porque isso tem impacto no calendário”, disse. Ela admitiu que a data da prova poderia ser mudada caso houvesse decisão do Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (Cepe), presidido pelo reitor, Wilmar Marçal. Entretanto, a assessoria de imprensa da UEL confirmou que a data não será alterada.

De acordo com o MEC, o ministro da Educação, Fernando Haddad, entrou em contato com algumas universidades federais, que se dispuseram a transferir a data de seus vestibulares. Já a assessoria de imprensa da UEL confirmou que recebeu contato, mas negou mudar o dia das provas. “A minha preocupação maior é com a ansiedade dos alunos, que estão numa fase em que são pressionados pela família e sociedade. Eles terão que lidar com uma eventual escolha”, disse Elaine.

É o caso do estudante Luiz Fernando Brunello, 17 anos. Ele cursa o terceiro ano do ensino médio em um colégio particular de Londrina e está pleiteando uma vaga no curso de medicina na UEL, na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “É lógico que vai ficar ruim. Agora terei que escolher e vou escolher o Enem, porque os outros vestibulares que vou prestar aceitam o Enem”, explicou o estudante.

Essa é a preocupação do coordenador do curso pré-vestibular Sigma, Roberto Barros. “Eu não acho justo que os alunos tenham que fazer essa opção porque eles já fizeram a escolha, quando pagaram a taxa de inscrição do Enem e da UEL”, ressaltou. Segundo ele, a UEL ou o Enem terão de ceder. “É uma queda de braço. Não sei quem vai vencer, mas sei quem vai perder: os alunos”, disse.

Para Sinep, decisão é “péssima”

O diretor do setor de ensino médio do Sindicato das Escolas Particulares (Sinep) de Londrina, Alderi Luiz Ferraresi, considerou “péssima” a intransigência da UEL em manter a data do vestibular. “É um complicador. A UEL tem que mudar essa prova. Muito aluno terá que escolher porque fazem outros vestibulares que aceitam o Enem. E isto é péssimo porque neste momento o jovem vive uma situação de estresse e angústia. Isso só fará com que ele se angustie ainda mais.”

Redações baseiam argumento

Outro argumento utilizado pela UEL para manter a data do vestibular foi a correção das redações. “São 9 mil redações para ser corrigidas. É um trabalho moroso e cansativo e as pessoas que se comprometeram com esse processo fizeram isso nesse período”, explicou Elaine Mateus, diretora da Cops. Entretanto, o argumento é questionado pelo coordenador do curso pré-vestibular Sigma, Roberto Barros. “Isso prova uma incompetência gigantesca da UEL. Basta contratar mais pessoas. A [Fundação] Carlos Chagas chegou a corrigir 36 mil redações em um mês”, disse.