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Universidade o que eu aprendi
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Nota:




Lembro-me da primeira aula na UEM, no curso de Economia. Estava animado
e, ao mesmo tempo, ansioso e tenso. Tinha experiência de trabalhar
Ensino Médio, mas era a primeira vez no Ensino Superior. Nutria uma
imagem otimista sobre a Universidade. As minhas expectativas eram
ótimas. Estava feliz!
Não obstante, o meu entusiasmo pouco a pouco se arrefeceu. Com o passar do tempo aprendi que a Universidade reproduz a mísera natureza humana e até potencializa algumas das suas “qualidades” mais desprezíveis; aprendi que o discurso universalista e humanitário, em favor da cidadania, dos pobres e oprimidos, mascara interesses mesquinhos e individualistas; aprendi que a cultura acadêmica, títulos, status, etc., nada dizem sobre o caráter dos indivíduos; que sob a aparência dos doutos encontram-se seres humanos frágeis e outros capazes de ações inconcebíveis; aprendi que sabedoria é diferente de conhecimento, e que o cabedal de saber acumulado não o torna necessariamente um ser humano melhor; aprendi que sob o discurso democrático, escondem-se práticas autoritárias; aprendi que a retórica política engajada é também uma maneira de ocupar espaços, ter mais capital simbólico e acesso aos recursos econômicos e políticos disponíveis. Aprendi que a “coisa pública” também existe para deleite e uso particular de alguns.
[Comece sua carreira. Ache os cursos e faculdades ideais para você.]
Aprendi que a docência pode limitar-se simplesmente a ser um emprego; que o poder professoral pode ser impiedoso e injusto com aqueles a quem deveria ensinar a justiça; aprendi que nem todos que dão aula gostam do que fazem. Aprendi que o discurso da crítica pode ser impermeável à crítica; aprendi que em nome das aparências reina a hipocrisia, que a vaidade caminha junto com a arrogância intelectual e idiossincrasias tituladas.
Aprendi que projetos levados a cabo na academia podem ser simplesmente mais um meio para aumentar o saldo bancário; aprendi que os pesquisadores podem se ocupar por anos com teorias e discussões conceituais, mas serem totalmente alienados diante do mundo em que vivem e da realidade social que os rodeiam; aprendi que o compromisso/responsabilidade social nada tem a ver com titulações e temas de pesquisa; que o pesquisador pode se dedicar com afinco a estudar a vida dos operários sem jamais pisar no chão da fábrica, como também se fazer bons discursos sobre a escola sem conhecer a realidade concreta desse estabelecimento.
Aprendi que se pode pesquisar sobre a exploração das mulheres, mas com a salvaguarda de ter uma empregada cujo trabalho libera o tempo necessário à reflexão
intelectual; aprendi que se pode escrever livros
sobre os pobres e a pobreza, sem que isto tenha qualquer influência
sobre a vida deles; aprendi que pode-se pesquisar os movimentos sociais
a partir de uma perspectiva científica e objetivista, sem qualquer
compromisso com as suas lutas; aprendi que as teorias pesquisadas podem
servir apenas para formar grupos de interesses que se retroalimentam
através de mútuos convites para participação em bancas, seminários,
colóquios, etc., eventos com títulos pomposos e debates infindáveis
sobre o mesmo de sempre, compreensíveis apenas aos convertidos e
iniciados, mas que cumpre plenamente os objetivos não-declarados. E
tudo em nome da ciência!
Na Universidade respira-se o mesmo ar fétido que exala para além dos seus muros. Os que a frequentam são também de carne e osso, capazes de atitudes louváveis, mas também de atos abomináveis. Como o meu amigo Walterego costuma afirmar, em tom de ironia, os doutos encastelados no câmpus também defecam e sentem medo. Não são diferentes do mais simples dos mortais. Embora quando os vemos em sua arrogância olímpica pareça que são de outra estirpe, são simplesmente humanos!
Não obstante, o meu entusiasmo pouco a pouco se arrefeceu. Com o passar do tempo aprendi que a Universidade reproduz a mísera natureza humana e até potencializa algumas das suas “qualidades” mais desprezíveis; aprendi que o discurso universalista e humanitário, em favor da cidadania, dos pobres e oprimidos, mascara interesses mesquinhos e individualistas; aprendi que a cultura acadêmica, títulos, status, etc., nada dizem sobre o caráter dos indivíduos; que sob a aparência dos doutos encontram-se seres humanos frágeis e outros capazes de ações inconcebíveis; aprendi que sabedoria é diferente de conhecimento, e que o cabedal de saber acumulado não o torna necessariamente um ser humano melhor; aprendi que sob o discurso democrático, escondem-se práticas autoritárias; aprendi que a retórica política engajada é também uma maneira de ocupar espaços, ter mais capital simbólico e acesso aos recursos econômicos e políticos disponíveis. Aprendi que a “coisa pública” também existe para deleite e uso particular de alguns.
[Comece sua carreira. Ache os cursos e faculdades ideais para você.]
Aprendi que a docência pode limitar-se simplesmente a ser um emprego; que o poder professoral pode ser impiedoso e injusto com aqueles a quem deveria ensinar a justiça; aprendi que nem todos que dão aula gostam do que fazem. Aprendi que o discurso da crítica pode ser impermeável à crítica; aprendi que em nome das aparências reina a hipocrisia, que a vaidade caminha junto com a arrogância intelectual e idiossincrasias tituladas.
Aprendi que projetos levados a cabo na academia podem ser simplesmente mais um meio para aumentar o saldo bancário; aprendi que os pesquisadores podem se ocupar por anos com teorias e discussões conceituais, mas serem totalmente alienados diante do mundo em que vivem e da realidade social que os rodeiam; aprendi que o compromisso/responsabilidade social nada tem a ver com titulações e temas de pesquisa; que o pesquisador pode se dedicar com afinco a estudar a vida dos operários sem jamais pisar no chão da fábrica, como também se fazer bons discursos sobre a escola sem conhecer a realidade concreta desse estabelecimento.
Aprendi que se pode pesquisar sobre a exploração das mulheres, mas com a salvaguarda de ter uma empregada cujo trabalho libera o tempo necessário à reflexão
Na Universidade respira-se o mesmo ar fétido que exala para além dos seus muros. Os que a frequentam são também de carne e osso, capazes de atitudes louváveis, mas também de atos abomináveis. Como o meu amigo Walterego costuma afirmar, em tom de ironia, os doutos encastelados no câmpus também defecam e sentem medo. Não são diferentes do mais simples dos mortais. Embora quando os vemos em sua arrogância olímpica pareça que são de outra estirpe, são simplesmente humanos!
6 Comentários:
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Sep 04, 2010
Nota:
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Cleiton disse:
Ainda não estou na unive
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Oct 23, 2009
Nota:
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Felipe sp disse:
Parabéns pela percepçã
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Oct 22, 2009
Nota:
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Oct 22, 2009
Nota:
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Samuel Leite disse:
"Na Universidade respira-
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Oct 21, 2009
Nota:
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Rodrigo disse:
Vivi isso por 4,5 anos nu
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Oct 21, 2009
Nota:
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Autor/Admin)
