Segundo
o reitor da universidade, Zaki Akel Sobrinho, os mais de 9 mil
estudantes que não indicaram os dados do Enem entrarão automaticamente
na disputa com no máximo 90% da nota final porque o uso do exame não é
opcional – ou seja, o candidato não tem o direito de escolher se deseja
ou não aproveitar o Enem na composição da nota do vestibular.
O número de estudantes prejudicados na competição, no entanto, pode ser ainda maior. Com a mudança da data do Enem, remarcado para os dias 5 e 6 de dezembro, nem todos os candidatos inscritos no exame participarão das provas. Aluna do terceiro ano do ensino médio, Carolina Meiga Ribeiro, 17 anos, havia programado uma viagem com a família entre a primeira e a segunda fase da UFPR, período em que o Enem será aplicado. “Estou me preparando desde o início do ano, sempre pensando no Enem. Quando veio a confirmação de que ele representaria 10% da nota da UFPR, a dedicação foi ainda maior. Fiquei muito decepcionada quando o exame foi adiado, primeiro pela desorganização e depois porque ele foi transferido para um dia em que eu não posso realizar a prova”, afirmou. “Estou sem saber como ficará a minha situação na Federal”, disse.
Segundo as regras do vestibular, a estudante sairá atrás dos demais candidatos se não fizer o Enem. Akel avalia, porém, que o adiamento do exame não trará prejuízos muito grandes aos vestibulandos. “Podemos dizer que a nossa situação é até um pouco privilegiada em comparação com outras instituições, porque fomos cautelosos e usamos o Enem apenas como 10% da nota. Além disso, a data do exame não coincidiu com o nosso vestibular”, disse.
No entanto, esses candidatos que não usarão o Enem, ou deixarão de participar da prova, têm uma chance de não sair atrás dos demais. Como o Ministério da Educação (MEC) vai atrasar a divulgação dos resultados, é possível que eles não venham a tempo de a Federal utilizá-los na conta da pontuação final dos vestibulandos. A UFPR solicitou ao MEC que as notas da prova objetiva do Enem sejam repassadas na primeira quinzena de janeiro, para que a universidade possa divulgar a lista de aprovados até o dia 22 de janeiro. Segundo o coordenador-geral do Núcleo de Concursos da UFPR, Raul von der Heyde, a universidade pode deixar de utilizar o exame caso o prazo não seja cumprido.
Concorrência
Como de costume, o curso mais concorrido do vestibular da UFPR foi Medicina, com 34,23 candidatos por vaga, seguido por Publicidade e Propaganda e Biomedicina, curso que abrirá sua primeira turma no próximo ano (veja tabela). A procura pelo curso de Jornalismo caiu 9,4% – de 591 candidatos ano passado para 554 neste ano – no primeiro vestibular após a decisão do Supremo Tribunal Federal que derrubou a exigência do diploma para o exercício da profissão. O curso permanece entre os dez mais procurados, mas caiu da 3.ª para a 7.ª posição. Ao todo, a UFPR recebeu 43.796 inscrições, um aumento de aproximadamente 4% em relação ao último vestibular. Serão ofertadas 5.334 vagas em 91 opções de cursos de graduação.


