Que o mundo está mais velho é uma realidade. Que o país está envelhecendo rapidamente é uma constatação. Que a longevidade surpreende os “envelhecentes” é uma experiência da contemporaneidade.

A realidade sociodemográfica brasileira, nas últimas constatações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), representa um fator preocupante. Nossa população cresce numa taxa abaixo de 2,5%, e a de idosos, perto de 5%. O aumento da longevidade tem sido explicado pelo controle da natalidade, pela erradicação de doenças transmissíveis, pelo aperfeiçoamento nos cuidados da nutrição e da saúde.

A expectativa de vida no mundo, que era de 50 anos em 1900, passou para 79 em 2000. Essa é a maior conquista da humanidade no século XX e o grande desafio do século XXI.

O grupo de idosos, em 1992, era de 7,9% da população total; hoje é de aproximadamente 11,5%. Alguns indicadores apontam que em 2050 nosso planeta terá o mesmo número de jovens e de idosos. Essa projeção está a exigir que a sociedade se prepare para esse mundo novo. Torna-se urgente que as políticas públicas oportunizem aos idosos vivências educacionais, para que o país possa transformá-los de fardos para a economia em pessoas integradas à sociedade produtiva.

Envelhecer na sociedade tendo vez e voz é mais importante do que envelhecer com saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu que nos países em desenvolvimento um indivíduo é considerado idoso a partir dos 60 anos, enquanto nos países desenvolvidos a idade limite é de 65 anos. Mas o envelhecimento não começa de um ponto zero. Vamos envelhecendo na própria experiência de viver, no tempo e no espaço. O envelhecimento e o desenvolvimento são variáveis correlatas.

Na contemporaneidade, a compreensão e a ressignificação da velhice não se restringem a fases, etapas ou estágios. Desenvolvimento humano significa universalidade e continuidade. Essa noção de totalidade deve ter também uma direção convergente, atribuindo ao “envelhecente” a responsabilidade de entender e administrar seu próprio envelhecimento. Entretanto, demandas socioculturais, como os estereótipos, os preconceitos e as crenças sobre a velhice, encerram riscos e ameaças à adaptação do idoso, exigindo dele grande capacidade de resiliência. A gerontologia vem demonstrando que o envelhecimento é um processo multidisciplinar e multidimensional, no qual ocorre o aumento, a diminuição e a manutenção da capacidade adaptativa.

Em nosso país, o envelhecimento é uma conquista que deve ser celebrada e encarada
com responsabilidade. Espera-se que possam ser atingidas metas convenientes e desejadas,
tais como: educação da sociedade civil sobre o envelhecimento individual e social; inclusão, nos cursos de graduação, de disciplina que estude o envelhecimento humano; e formação de profissionais na área de gerontologia.

Percebe-se que a sociedade e as instituições
terão de se preparar para um Brasil mais velho,
diante dos seguintes pressupostos:

- a questão demográfica é desafiadora para estudos de gerontologia social;

- há a necessidade de informações fundamentadas cientificamente sobre as condições
do curso de vida e sobre as variáveis relativas ao envelhecimento;

- com os novos insights que ocorrem sobre os princípios que regem o comportamento e sobre a dinâmica da vida, ampliou-se o interesse relativo ao envelhecimento humano;

- o envelhecimento envolve avanços que podem ser otimizados se os indivíduos, a universidade e a sociedade forem capazes de oferecer disponibilidade para investir mais recursos na geração de uma cultura e ideologia positivas sobre a velhice;

- a OMS argumenta que os países podem custear o envelhecimento se os governos e a sociedade civil implementarem políticas e programas de Envelhecimento Ativo, que melhorem a saúde, a participação e a segurança das pessoas mais velhas. A hora para planejar e agir é agora;

- é da competência da instituição universitária a tarefa de análise da realidade e das
questões sociais, estabelecendo interação com as organizações sociais, científicas, culturais,
políticas e populares.