Não passar para a universidade é, sem sombra de dúvida, o maior temor do vestibulando. Mas não é o único! Ele também tem medo da concorrência, de sofrer um branco, de chegar atrasado para a prova... Fantasma é o que não falta para assombrar os estudantes que, de acordo com educadores, não são medrosos, mas inseguros. Segundo especialistas, o excesso de cobrança da família e a dificuldade de encarar o início da vida adulta fazem com que eles entrem em pânico e se sintam como verdadeiros personagens dos filmes de terror que tanto gostam.

Para a psicóloga Patrícia Madruga, o último ano do ensino médio significa um ritual de passagem, uma mudança muitas vezes brusca, para quem está acostumado com o ambiente acolhedor da escola. Amadurecer aos 16, 17 anos, segundo Patrícia, é algo que realmente deixa o estudante com medo e inseguro:

- Eles têm medo de abrir mão da juventude, de poder dormir até tarde, de perder os amigos. Quem está sofrendo com isso tem mais é que falar com os amigos, desabafar. Ele vai perceber que não é o único assustado, vai sentir-se melhor - diz Patrícia, que trabalha com crianças e adolescentes e é especialista em orientação profissional.

Na turma do terceiro ano da Escola Dínamis, bastou fazer a pergunta "vocês têm algum tipo de medo?" para começar a ouvir os temores. João Barcellos, por exemplo, teme ter um branco na hora da prova. Taiana Granja tem medo da falta de infra-estrutura das faculdades. Já Paola Baqui tem pavor de não corresponder à expectativa da família.

- Dá medo de me esforçar e parecer fraca, se não passar - desabafa Paula.

Betty Fiszon, orientadora educacional do Colégio Rio de Janeiro, lembra que os vestibulandos têm que dar conta de muitas responsabilidades. Corresponder às expectativas da sociedade é sempre um esforço a mais:

- Eles são muito jovens, imaturos. O medo do futuro, das cobranças, gera outros medos secundários, como o de errar a marcação do cartão. A escola, em geral, exige muito dos alunos. Por isso, é importante que a família o apóie, em vez de pressioná-lo ainda mais.

Ruan de Moraes, Fabiane Teixeira, Leonidas de Souza e Dayene Neves, alunos do terceiro ano do Colégio Estadual Visconde de Cairú, também sofrem com os fantasmas do vestibular. Leonidas, por exemplo, tem medo de sair da escola e encarar a vida adulta:

- Fora do colégio a responsabilidade é outra. Vou fazer faculdade, começar a trabalhar...

Carla Lopes, professora de inglês do Visconde de Cairú, entende o aluno:

- Eles estão acostumados a fazer provas difíceis, são testados freqüentemente. Mas o vestibular é a entrada para um novo mundo e isso é realmente assustador para eles.