A primeira fase da Fuvest, realizada neste domingo (22), foi considerada mais fácil do que em relação às edições anteriores, segundo professores de cursinhos. A prova relacionou temas atuais aos conceitos das matérias ensinadas em sala de aula.

Só uma questão de português foi polêmica. O professor do cursinho Poli, André Oliveira, disse que a pergunta sobre o poema de Vinicius de Moraes, Pátria Minha, do livro Antologia Poética, tinha respostas ambíguas. Um dos itens da pergunta, que pedia para comparar uma estrofe da poesia com citações de personalidades históricas, afirmava que os versos continham contradição, o que é contestado pelo cursinho.

– A estrofe não apresentava espírito de contradição, citado no segundo item pela Fuvest. Nessa estrofe, havia apenas irreverência e oposição em relação ao amor da pátria. O poema é tem esse conceito contraditório, mas não a estrofe. E isso poderia induzir o aluno a acreditar que o segundo item era falso, apesar de a Fuvest considerá-lo verdadeiro.

Para o coordenador do cursinho Objetivo Francisco Achcar, a prova de português foi bastante clara e não trouxe ambigüidade nem dificuldade ao candidato. Ele concorda com a Fuvest e aponta os dois primeiros itens como afirmações verdadeiras.

Apesar disso, o restante da parte de português estava dentro do esperado pelos cursinhos, com figuras de linguagem, interpretação de texto e gramática, que estava aplicada nos textos. As questões de literatura, por sua vez, comparavam as obras literárias.

Ainda em humanas, as questões de geografia e história tiveram algumas novidades. De acordo com Fernando Ribeiro, professor de geografia do Poli, os alunos poderiam emperrar em duas questões, uma sobre cyber espaço e outra sobre a entrada de Cuba na OEA (Organização dos Estados Americanos).

– A segunda questão da prova trouxe o conceito de cyber espaço, que não está nos livros e não é ensinado em classe. A quinta, que falava sobre a OEA, só seria resolvida por quem acompanha o noticiário.

A prova de história, segundo o professor do cursinho Poli Elias Feitosa, não apresentou questões mais tradicionais.

– Eram esperadas perguntas sobre o muro de Berlim e Segunda Guerra, devido aos aniversários. Como elas não apareceram agora é provável que sejam cobradas na segunda fase.

Com o conteúdo de inglês atual, o nível da prova foi tido como fácil. O que ajudou os candidatos, diz a coordenadora do cursinho Objetivo Cristina Armaganijan, foi o exame trazer dois textos curtos de revistas e com alternativas em português.

Física burocrática

Temida pela maioria dos candidatos, a parte de exatas pedia aplicação de conceitos da física, além de fórmulas matemáticas. Para Bassam Ferdinian, professor de física do cursinho Poli, a prova foi “bem burocrática” e pedia aplicação de muitas leis.

– A prova cobra conteúdo, mas não aborda de uma maneira cotidiana, como é o caso da Unicamp. Sem fazer essa relação, o aluno não entende o porquê de ter de aprender esse ou aquele conceito e acaba achando a prova muito difícil.

Em matemática, segundo o professor do Poli Eduardo Izidoro, não havia muitas respostas com números redondos ou inteiros, mas estava mais próxima do vestibulando. Uma das perguntas, por exemplo, pedia para o candidato fazer relação entre o rendimento da gasolina e do álcool no carro flex. Segundo Izidoro, a prova, que foi dividida entre álgebra e geometria, conseguirá selecionar os alunos para a segunda fase.

Já química e biologia, tidas como provas fáceis, apareceram também nas questões interdisciplinares, ao lado de temas atuais. A que abordou gripe suína misturou conceitos das duas matérias com matemática.