Das cinco provas do Enem, duas vão exigir do candidato bom conhecimento de português: o teste de linguagem e a redação, ambas aplicadas domingo, no último dia do exame. Interpretação é uma das palavras-chaves para as duas provas.

Na de português, porque muitas questões exigirão respostas a partir da leitura de textos e charges, e na redação, porque só depois de interpretar um tema, o candidato vai redigir o texto. “O teste de linguagem cobra a gramática portuguesa muito superficialmente.

Boa parte da prova gira em torno do conhecimento de mundo, questões do dia a dia e muita interpretação de texto”, observa o professor do Colégio Atual Rogério Lopes. Embora o teste privilegie pouco a gramática pura, é preciso revisar concordância e regência verbal e nominal. Também figuras de linguagem, elementos de coesão textual, conotação e denotação. Uma maneira para treinar é ler notícias de jornais e revistas e interpretá-las, destacando argumentos elencados no texto.

Outra dica é observar (e interpretar) as charges dos jornais, já que o Enem que vazou trouxe algumas ilustrações. Os pais querem ajudar os filhos vestibulandos esta semana? A sugestão é conversar com eles sobre os principais acontecimentos sociais e políticos do Brasil e do mundo.

Um simples bate-papo desenvolve a visão crítica e aumenta o repertório de ideias, ajudando-os na interpretação de textos e, sobretudo, na hora da redação. “Ao corrigir a dissertação, a banca observa a qualidade dos argumentos, se o texto se adequa ao tema proposto, se o autor tem conhecimento gramatical e se as ideias estão conectadas”, explica o professor Rogério Costa, também do Colégio Atual.

CONCLUSÃO

Ele ressalta a importância de valorizar a conclusão do texto. “Em um filme, se a condução for boa, mas
o final não, tendemos a dizer que ele é ruim. Na redação acontece o mesmo.

O desenvolvimento é importante, mas a conclusão também”, diz Rogério Coja. Importante é fugir dos clichês. Frases como “A sociedade deve exigir dos governantes uma solução para o problema”, “O estudante tem que sugerir uma intervenção para a questão”, devem ser evitadas, orienta o professor.

A UFPE não usará a nota da redação do Enem no vestibular. Já a Rural e a Univasf, sim. Independentemente da universidade onde pretende estudar, a recomendação é não deixar de fazer a dissertação. “Não sabemos se as regras do Enem ou dos vestibulares vão mudar no ano que vem. Por isso, é melhor garantir a nota completa no exame.”