Não é de hoje que se fala em aquecimento global e preservação do meio ambiente, mas esses temas ganharam muito mais evidência este ano com a crise econômica global – vários governos, inclusive os EUA, incentivaram investimentos em produtos com menor impacto ambiental, como, por exemplo, no desenvolvimento de automóveis mais econômicos e menos poluentes como forma de sair da crise.

"A questão das responsabilidades sócio-ambientais começa a ganhar força nas empresas por questões financeiras: para empresas com ações em bolsas, os investidores estão exigindo esse tipo de postura, já que há uma mobilização da sociedade e dos governos nesse sentido", explica Roberto Gonzales, professor de Governança Corporativa e Sustentabilidade da Trevisan Escola de Negócios.

Ele comenta que nas empresas ainda não existe uma diretoria de sustentabilidade ou o gestor ambiental, mas profissionais ligados a essas áreas serão valorizados no futuro: "As empresas precisam entender que investir em projetos de sustentabilidade e do terceiro setor não é filantropia. Adotar uma postura e ter uma cultura sustentável de preservação do meio ambiente não é uma onda passageira e toda a empresa precisa estar envolvida".

Mas a questão financeira não tem impacto apenas nos investidores, mas também na competitividade da empresa e até nos preços de seus produtos. Ao adotar, por exemplo, equipamentos mais modernos que consumam menos energia, a empresa estará contribuindo para a preservação do meio ambiente, pois a construção de hidrelétricas tem forte impacto ambiental. Por outro lado, ela também reduzirá seus custos, podendo repassar esse benefício para o consumidor. Em muitas empresas, uma campanha que vem dando certo é o da conscientização na redução da quantidade de papel impresso (muitos e-maisl trazem no rodapé um alerta para a necessidade de reduzir a impressão). Há até quem divulgue o número de árvores preservadas com a economia de papel.

raticamente todas as profissões deverão passar a ter uma ótica sustentável, desde o advogado que precisará conhecer as legislações ambientais, não só aqui, mas de outros países, até aqueles mais óbvios, como o engenheiro que precisará lidar com resíduos industriais ou o administrador de materiais: "Atualmente, os profissionais buscam os conhecimentos em cursos de pós-graduação e especialização. A tendência é que esses temas façam parte do currículo dos cursos de graduação".

Há vagas

De acordo com Camila Mariano, gerente de atendimento da Catho Online, empresa de recrutamento e seleção, profissionais especializados em sustentabilidade ainda são raros, mas já começam a ser disputados no mercado: "A demanda maior tem sido por engenheiros ambientais e florestais, além de engenheiros e administradores com pós-graduação em sustentabilidade".

O engenheiro que atua na área ambiental desenvolve e aplica tecnologias para proteger o ambiente dos danos causados pelas atividades humanas. Sua principal função é preservar a qualidade da água, do ar e do solo. Realiza estudos de impacto ambiental, propondo soluções para aproveitamento racional dos recursos naturais. Ele elabora e executa planos, programas e projetos de gerenciamento de recursos hídricos, saneamento básico, tratamento de resíduos e recuperação de áreas contaminadas ou degradadas. A Engenharia Florestal é voltada para o estudo e o uso sustentável de recursos florestais; pesquisa e seleciona sementes e mudas, identifica e classifica espécies vegetais e procura melhorar suas características, analisando as condições necessárias para sua adaptação ao ambiente. Elabora e acompanha projetos de preservação de parques e de reservas naturais e cuida de fazendas de reflorestamento, recupera áreas degradadas, cuida da arborização urbana e avalia o impacto ambiental de atividades humanas em uma área.

Camila afirma que profissões ligadas à sustentabilidade estão em alta e para quem já é graduado e pretende seguir este caminho, o conselho é investir em cursos de pós-graduação.