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Tecnologia: há vagas para os profissionais qualificados
Atualmente, a tecnologia está presente no cotidiano de qualquer pessoa. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), quase 30% dos lares da região Sudeste possuem computadores. Dados da Anatel (Agência nacional de Telecomunicações) indicam que oito em cada dez brasileiros possuem celulares. Hoje, em vez de enfrentar a fila do banco, o correntista faz qualquer operação pela internet, do computador de casa, desde o pagamento de contas até aplicações financeiras; com o celular, o usuário consegue hoje pagar o táxi ou até mesmo a conta da padaria.
A evolução é muito rápida, novas aplicações e tecnologias surgem a cada dia. Isso faz com que a necessidade de profissionais especializados cresça. "Este é um mercado que não para de crescer. A demanda está aquecida e faltam profissionais qualificados, que são muito disputados no mercado", conta Rita Cury, gerente de Marketing e produtos da Impacta, uma das maiores e mais tradicionais empresas de treinamento em tecnologia do País. Ela também ministra cursos de linguagem Java.
Segundo Rita, um bom arquiteto de software dita o seu preço no mercado. Muitos profissionais independentes prestam consultoria e cobram por hora; os que estão contratados em grandes empresas recebem salários de no mínimo R$ 12 mil. O arquiteto de software é uma função ainda recente. Quando Bill Gates, fundador da Microsoft, deixou de ser o principal executivo da empresa (CEO), assumiu essa função (agora está aposentado). Ao contrário do que se pensa, o arquiteto de software não é simplesmente um desenvolvedor sênior que foi promovido, apesar de ocorrerem casos assim, pois este profissional é muito técnico. O arquiteto é um generalista e precisa dominar tanto a parte técnica quanto a de negócios. Precisa entender de desenho de sistemas e programação, dominar a área de aplicações, ser um negociador e ter liderança.
Para seguir nessa carreira, os interessados precisam, antes de tudo, ter conhecimento de programação. "Os cursos de linguagens Java e Microsoft .Net estão entre os mais procurados e a tendência é aumentar, ainda mais com a disseminação da tecnologia de cloud computing, que já aumentou a demanda por profissionais desenvolvedores de aplicações", observa Rita Cury.
Pelo menos em teoria, o cloud computing, ou computação em nuvem, é uma tecnologia de grande impacto, já que basta qualquer coisa com acesso à internet para usar os serviços web. E nem chega a ser uma grande novidade, mas as proporções que a tecnologia poderá tomar é que será revolucionária. Hoje, muitas pessoas já usam parte do cloud computing em serviços como Gmail ou Hotmail. Eles acessam suas contas de qualquer lugar do mundo, basta um computador com acesso à internet, e arquivam ali seus e-mails com fotos, documentos e até músicas. Pois este é o espírito do cloud computing, em que a nuvem são os diversos serviços da internet. Para acessá-los, não será mais necessário um computador com disco rígido, processador poderoso e muita memória, já que não será preciso instalar programas – o processamento será feito na própria internet, no servidor do serviço.
Imagine alguém que irá viajar de avião para uma outra cidade. O computador, que será bem simples, ou mesmo o celular, avisará que está na hora de ir para o aeroporto, informará sobre as condições do trânsito, o melhor roteiro e se o voo irá atrasar. O usuário poderá até fazer o check-in pelo celular ou computador. Também irá informar sobre o tempo de voo, as condições meteorológicas do destino, a reserva no hotel e até a programação cultural da cidade, com a possibilidade de comprar o ingresso online. Todas essas informações e serviços estão dispersos hoje na internet em diversos sites. O trabalho do cloud computing é trazê-los para o usuário de forma inteligente. Para que tudo isso funcione, será preciso o desenvolvimento de diversas aplicações. "A Impacta oferece uma gama completa de cursos. Para quem deseja atuar como arquiteto de software, por exemplo, temos desde os cursos mais básicos até os mais avançados", afirma Rita Cury.
Criada há vinte anos, a Impacta Tecnologia é um dos maiores centros de
treinamento em TI do País, com mais de 300 cursos e 40 certificações em
diferentes áreas, como redes, desenvolvimento de aplicações, banco de
dados, hardware, design, vídeo, gerenciamento de projetos, aplicações
web, entre outros. Cerca de 3 mil alunos são formados mensalmente, e
mais de 350 mil profissionais e 20 mil empresas já foram treinados. A
equipe da Impacta conta com 160 funcionários e 300 colaboradores
divididos em duas unidades de ensino em São Paulo – a de Educação
Continuada, especializada em treinamento e certificações, e a Educação
Acadêmica, formada pela FIT - Faculdade Impacta de Tecnologia e pelo
Colégio de Tecnologia da Informação.
Pesquisa sobre o mercado
A área de TI não está recebendo um número significativo de novos profissionais. Esta foi uma das conclusões de uma pesquisa encomendada pela Impacta Tecnologia à MBI Mayer&Bunge Informática, empresa focada na geração de informações para o mercado de Tecnologia da Informação e Comunicações (TIC).
A pesquisa sobre o perfil do profissional foi aplicada em cem empresas de diferentes segmentos instaladas no País. Foram avaliadas questões como tempo de atuação profissional no mercado, escolaridade, tipo de regime de trabalho, domínio de idiomas e outros pontos.
Com relação ao tempo de atuação profissional em TI em outras áreas, 75,8% dos entrevistados atuam na área há mais de dez anos e 12,8% possuem de oito a dez anos no setor. Menos de 1% entraram no segmento há um ano.
Questionados sobre quanto tempo trabalharam em outras áreas que não a
TI, o resultado indica que cerca de um terço dos profissionais (31%)
nunca trabalharam em outra área, enquanto outros 42% atuaram em outro
setor por no máximo cinco anos antes de migrarem para a TI.
Referente ao tempo de ocupação do cargo atual, o estudo mostra que
23,4% dos profissionais com mais de dez anos de mercado receberam
promoções nos últimos dez anos. O tempo médio de espera por uma
promoção foi de no mínimo cinco anos para 52,4% dos entrevistados.
Em relação ao grau de educação formal dos entrevistados, foi feito um comparativo com outra pesquisa realizada no ano de 2001, na qual o nível de pós-graduação não foi citado. No levantamento atual, 37% dos profissionais dizem possuir curso de pós-graduação completo e 9% incompleto.
Com referência aos cursos superiores, em 2001, 45% dos participantes disseram possuir o curso completo e 29%, incompleto. Nos dados de 2009, 31% contam com curso superior completo e apenas 9% ainda não concluíram a graduação.
O resultado da pesquisa revela ainda que o mercado está mais exigente na hora de contratar. Em 2001, 22% dos profissionais que já atuavam na área possuíam apenas o ensino médio. Hoje esse percentual é de apenas 6%. "O mercado exige cada vez mais, além da educação formal, o domínio completo da tecnologia e certificações reconhecidas. Isso tem resultado numa corrida e disputa das empresas por profissionais qualificados", diz Rodolfo Ohl, diretor do site de recrutamento MonsterBrasil.com.
Referente ao domínio de línguas estrangeiras, o inglês é líder com 94,6%, seguido do espanhol, por 40,9%. O italiano figura em terceiro lugar, com 5,4%, seguido pelo francês, com 4,7%, e pelo alemão, com 2%.
"O setor de tecnologia evoluiu muito nos últimos anos no Brasil e o mercado se tornou mais exigente nas contratações. Contudo, o número de novos especialistas ingressando no mercado de TI não tem sido suficiente para suprir o déficit de mão-de-obra no setor, que chega a cem mil profissionais, conforme levantamento de 2008 do Ministério do Trabalho", conclui Celio Antunes, presidente do grupo Impacta Tecnologia.


