Uma pesquisa mostra que a Educação a Distância cresceu 90% no País ano passado e a qualidade do ensino é aferida pelo MEC. É preciso investir numa boa equipe e preparar muito bem os professores para as aulas online.

Com a chegada do acesso banda larga à internet, a Educação a Distância (EAD) ganhou um grande impulso: é possível fazer videoconferência, participar de chats (bate-papo online), fóruns e grupos de discussão, enviar um e-mail para o professor para tirar dúvidas, além de acessar bancos de dados para pesquisas. De acordo com levantamento da Abed - Associação Brasileira de Ensino a Distância, são 1.752 cursos oferecidos. O número de alunos chega a quase 2,65 milhões, dos quais 37% em cursos de pós-graduação, 26,5% em graduação e 34,6% em cursos de Tecnólogo e complementação pedagógica. O restante seriam cursos livres. A entidade considera EAD quando mais de 50% do curso tem sua grade horária de forma não presencial, ou seja, quando alunos e professores não estão no mesmo local.

A Educação (ou Ensino) a Distância não é algo novo. Quem não se lembra dos cursos por correspondência? Contam os historiadores que o primeiro a oferecer um curso a distância foi o inglês Isaac Pitmann, inventor da estenografia (técnica de escrita que utiliza caracteres abreviados especiais, como a taquigrafia, permitindo que se anote as palavras com a mesma rapidez com que são pronunciadas). Em 1840 ele criou um curso por correspondência para comercializar a sua invenção. O primeiro instituto a usar o ensino a distância foi o alemão Toussaint e Langenseherdt, em 1856, dedicado ao ensino de línguas estrangeiras.

 Segundo o professor André Genesini, do Comitê de Qualidade da Abed, no ano passado foram lançados 269 cursos, um crescimento de 90% em relação a 2007: "Um dado curioso é que 70% dos alunos têm mais de 30 anos de idade. São pessoas que trabalham e possuem pouco tempo para frequentar um curso presencial, ou moram longe da escola, muitas vezes em outra cidade. Já o aluno mais jovem gosta de frequentar a escola, onde tem amigos".

Na opinião do professor, o Brasil tem urgência em resolver o déficit educacional, que só será possível com investimentos em EAD: "O País é muito grande e por mais escolas que se construam, somente isso não será suficiente para atender a crescente demanda". E para quem acha que os cursos a distância são de baixa qualidade, Genesini rebate, uma vez que os cursos de graduação e pós-graduação são supervisionados pelo MEC: "Há uma vontade do governo para que a Educação a Distância dê certo. O ministério fica de olho nos cursos, que são avaliados pelo Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes). A média tem sido superior aos cursos presenciais", observa.

Conforme pesquisa da Abed, 38% dos alunos afirmaram que a Educação a Distância é melhor do que a presencial, 42% disseram que eles são equivalentes e 20% opinaram que o modelo é pior que o tradicional: "Outro dado da pesquisa que mostra a qualidade da EAD é o índice de evasão. A média apurada entre as instituições da amostra é de 18,5%, enquanto que no ensino presencial é de 40%. Dos alunos que abandonam os cursos, 90% o fazem no primeiro ano e quase sempre o motivo é a não adaptação ao método – o aluno precisa gerenciar o próprio estudo e ter mais disciplina". O maior índice de evasão ocorre na região Norte, com 27,8%, e a menor na região Sul, com 14,8%.

Apesar do crescimento e das opiniões positivas, Genesini admite problemas: "Existem instituições que implantam a Educação a Distância pensando apenas em reduzir custos. É preciso investir na equipe pedagógica para o desenvolvimento de conteúdo e material multimídia, o professor precisa ser treinado para ministrar aulas em frente da câmera, entre outras ações. Essas instituições são denunciadas pelos alunos e se caso sejam cursos de graduação ou pós-graduação, o MEC abre investigação. Caso se confirme a má qualidade do ensino, ela é descredenciada".

Para quem deseja fazer um curso a distância, a Abed aconselha:
- Verifique a instituição responsável, sua idoneidade e reputação, bem como dos coordenadores e professores do curso;
- Colha impressões de alunos atuais e ex-alunos do curso; caso não tenha contato com nenhum, solicite aos responsáveis indicações de nomes e contato;
- Confira ou solicite informações sobre a estrutura de apoio oferecida aos alunos (suporte técnico, apoio pedagógico, orientação acadêmica etc). Preste atenção também na seriedade do atendimento quando solicitar informações;
- Verifique se você atende aos pré-requisitos exigidos pelo curso;
- Avalie o investimento e todos os custos, diretos e indiretos, nele envolvidos;
- Para o caso de cursos que conferem titulação, solicite cópia ou referência do instrumento legal (credenciamento e autorização do MEC ou do Conselho Estadual de Educação) no qual se baseia sua regularidade;
- Algumas instituições possibilitam que o futuro aluno faça uma aula teste para avaliar aspectos como a interatividade e o material.