Teste vocacional para ajudá-lo na escolha de sua futura carreira. Em países como os EUA, onde tornados e furacões são comuns, já conquistaram espaço e reconhecimento. Com a ajuda de equipamentos modernos, eles podem antecipar a rota desses ventos e alertar moradores e autoridades. A frequência com que fenômenos parecidos ocorrem no sul do Brasil começa a despertar interesse em saber como anda a nossa meteorologia.
– Avançou bastante, mas ainda falta muita coisa. Precisamos de mais investimentos governamentais para captar dados atmosféricos. É muito caro manter as redes de monitoramento. Também temos poucos radares – afirma a meteorologista Morgana Almeida, que trabalha desde 2006 no Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em Brasília.
Como fator positivo, a profissional formada na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, identifica um crescimento pelo interesse na carreira. Os concursos públicos recebem mais candidatos a cada edição, muito motivados pela pauta das mudanças climáticas. Foi em uma dessas competições, em 2006, que ela entrou no Inmet, atuando no Centro de Análises e Previsão do Tempo, onde faz boletins diários, semanais e mensais.
– Eu faço o monitoramento de todo o Brasil, inclusive do Sul. Uso modelos numéricos para simular o que pode acontecer. São equações matemáticas que alimentamos com os dados coletados nas estações climáticas. É um prognóstico, pode não ocorrer – explica.
Ao falar em equação, ela revela o que mais faz diferença ser um bom meteorologista, o domínio da matemática e da física. Morgana torce para que os vestibulandos gaúchos não se deixem enganar por uma baixa densidade no vestibular. Esse tipo de engano ainda ocorre, mas está ficando aos poucos no passado, garante o coordenador do curso na Universidade Federal de Santa Maria, professor Ernani de Lima Nascimento. Ele percebe os alunos conscientes do que faz o profissional e do que é necessário para seguir na área.
– A percepção deles está melhor, até mesmo pela maior demanda que temos hoje da informação meteorológica. E, no começo do curso, reforçamos a importâncias de eles irem muito bem nas disciplinas teóricas, que seguem sendo um grande motivo de evasão no país – conta Nascimento.
O mesmo alerta vem do meteorologista Lincoln Alves, pesquisador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos.
– O candidato a meteorologista precisa lembrar que a atmosfera é um fluido. E, como todo fluido, ela obedece às regras da física e da matemática, que a regem. Para ficar claro, os primeiros semestres do curso são os mesmos das engenharias – diz.