Por: Correio Lageano
Depende da sanção do presidente Lula o projeto de lei que altera as
regras do Financiamento a Estudantes do Ensino Superior (Fies). Se
aprovado, ele vai reduzir juros e aumentar o prazo do benefício para
até três vezes o tempo do curso frequentado pelos universitários.
O projeto já foi aprovado pela Câmara de Deputados e pela Comissão de
Educação do Senado. Entre as novidades determina a abertura de
financiamentos para alunos de cursos técnicos de nível médio, desde que
existam recursos disponíveis. A prioridade, mesmo com a mudança, é
prevista para estudantes de curso superior.
Desde 1999
o Fies ajuda a custear a formação em cursos de graduação. Hoje,
aproximadamente 500 mil estudantes de 1.459 instituições de ensino
credenciadas, com 2.080 campi cadastrados, recebem em torno de R$ 4,6
bilhões para que possam estudar.
Só em Lages, a Caixa Econômica
Federal, que opera o financiamento, calcula que existam 814 contratos
ativos. O volume representa pouco mais de R$ 10 milhões e a média é de
cerca de 120 novos contratos por ano, assinados por estudantes que
ingressam no nível superior.
Atualmente, quem adere
ao financiamento precisa pagar o valor liberado no tempo máximo
correspondente a duas vezes o período do curso. Pelo novo projeto esse
prazo será estendido para até três vezes.
Os juros
de 6,5% ao ano se tornam pesados para os recém-formados, que pelo novo
projeto vão passar a pagar o percentual de 3,5% ao ano. A taxa foi
aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), em agosto e atende a
estudantes que aderiram ao Fies desde então. Só que com a nova lei vai
favorecer também quem tem saldo devedor de contratos anteriores.
Estudantes de cursos de licenciatura e medicina que atuarem como
professores na educação básica da rede pública, por no mínimo 20 horas
semanais, ou como médicos do Programa Saúde da Família, ainda terão a
oportunidade de pagar os estudos com trabalho. Para isso, o programa
vai abater 1% da dívida para cada mês trabalhado.
A
lista de vantagens ainda conta a eliminação dos processos seletivos
promovidos pelas universidades (de acordo com regras do Ministério da
Educação e Cultura - MEC). O agente operador passa à responsabilidade
do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e deixa de ser
a Caixa Econômica Federal (CEF).
O gerente geral da
agência Centro da CEF, Gilberto Onofre da Luz, comenta que como o
projeto ainda não foi sancionado, o banco não recebeu informações sobre
as mudanças previstas para o programa. Segundo ele, é preciso esperar a
lei ser regulamentada e observar os prazos que serão dados, tanto para
o banco fazer as adequações necessárias como para inserção de contratos
antigos nos novos benefícios.