Aplicar uma única prova a mais de 4,1 milhões de estudantes em 1.843 municípios distribuídos em todo o país (além de 339 unidades prisionais) é um dos maiores desafios do MEC (Ministério da Educação), quando se trata de Enem.

O exame, que passou a ser obrigatório para dezenas de universidades federais este ano, requer uma logística complexa para ser executado e, por isso, pode sofrer mudanças a partir do ano que vem.

Em entrevista ao R7 na última sexta-feira (4), o presidente do Inep (órgão responsável pelo exame), Reynaldo Fernandes, afirmou que a prova poderá, a partir dos próximos anos, ser aplicada em diferentes dias e regiões.

- Ainda tem muita discussão para ser feita, mas o caminho que nós estamos apontando é de ter no futuro um sistema com mais provas, mais descentralizadas, que possa facilitar a vida dos estudantes e reduzir o risco de vazamento.

Isto, segundo Fernandes, graças ao método TRI (Teoria de Resposta ao Item). O sistema é usado hoje como um método “antichute”, fazendo com que as questões tenham diferentes pesos de acordo com a resposta do candidato. Aquele que acertar as mais difíceis e errar as mais fáceis perde pontos.

- A TRI traz hoje uma vantagem importante: eu posso comparar pessoas que fizeram provas distintas. Numa prova clássica, eu só posso comparar pessoas que foram submetidas a exatamente o mesmo exame.

Sabatistas

De acordo com Fernandes, existe também a possibilidade de o Enem não ser mais realizado no sábado. O dia da semana gerou polêmica entre os religiosos sabatistas, especialmente os judeus, que consideram sagrado o período que vai do pôr do sol de sexta-feira ao de sábado. Por isso, eles não executam nenhum tipo de atividade.

- A possibilidade sempre existe. Optou-se por fazer o Enem em um sábado e um domingo porque é mais fácil, a logística é mais rápida. Para o aluno, é melhor. O problema é que eu posso resolver o problema de um grupo e deixar grande parte das pessoas insatisfeitas. Essas questões vão ser levadas para o comitê de governança.

Prova

O Enem foi aplicado no último final de semana (dias 5 e 6 de dezembro) após a prova ter sido cancelada em outubro. Na época, ocorreu vazamento dos cadernos por um grupo que tentou vendê-los para órgãos de imprensa.