As provas foram realizadas em setembro e outubro
deste ano e têm como objetivo avaliar o desempenho dos estudantes do
sexto ano de Medicina das escolas médicas do Estado de São Paulo.
Em
2009, dos 621 participantes da primeira fase (dentre 811 inscritos),
que cursaram escolas médicas de São Paulo, 276 participantes (44%)
foram aprovados para a segunda fase.
De acordo com o Cremesp, o alto
índice de reprovação no exame de 2009 (56%) confirma a precariedade do
ensino médico no Estado. É alarmante constatar que, pelo terceiro ano
consecutivo, a maioria dos participantes foi reprovada na primeira
etapa do Exame.
Em Catanduva, o curso de Medicina das Faculdades
Integradas Padre Albino (FIPA) obteve índice de aprovação de 45,2% na
primeira fase, ou seja, dos 64 alunos concluintes no curso de Medicina,
42 participaram do 5º Exame do Cremesp e apenas 19 foram aprovados na
primeira fase.
Para o coordenador do curso de Medicina das FIPA,
José Alves, o resultado do Exame do Cremesp não mudará o planejamento
estratégico para 2010, pois essa avaliação não leva em consideração
todos os aspectos reais da escola médica.
“Eles avaliam o estudante
no ‘meio do caminho’, pois esse aluno ainda precisa passar pela
residência e, só então, a avaliação deveria ser feita”, considera o
coordenador.
Na sua opinião, o órgão gabaritado para avaliar as
faculdades e universidades é o Ministério da Educação e Cultura (MEC),
que aponta o curso de Medicina de Catanduva como a quinta melhor do
Estado de São Paulo. No Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes
(Enade), os alunos de Medicina obtiveram nota quatro.
“Acredito que
o resultado do Cremesp seja bom, pois estamos dentro da média estadual.
Nossos alunos não incentivados a participar da prova, fazendo de livre
e espontânea vontade”, afirma.
A primeira fase do Exame do Cremesp
consiste em 120 questões distribuídas em nove áreas básicas de
conteúdo. A nota considerada de corte é seis. Ou seja, para passar à
segunda etapa, quando é aplicada a prova prática, é preciso acertar o
mínimo de 60% (ou 72 questões) da prova objetiva da primeira fase. Em
2009, o participante com nota mínima acertou 32 questões e a maior nota
foi o acerto de 103 questões (dentre 120 questões).
Dentre os 276
aprovados em 2009, 240 (87%) compareceram à segunda fase, que consiste
em uma prova de formato interativo, que simula situações clínicas e
problemas cotidianos da prática médica. Apenas oito participantes foram
reprovados na segunda fase.
“O resultado deste ano indica a
deterioração progressiva da qualidade no ensino médico no Estado de São
Paulo. A situação pode ser ainda pior. Devido ao caráter facultativo do
exame, pois, supostamente, os alunos melhor preparados demonstram maior
interesse em participar da avaliação”, considera o órgão.
CONHECIMENTO
O desempenho dos participantes também foi medido
conforme áreas do conhecimento médico. Abaixo de 60% de acertos, o
resultado por área de conhecimento é considerado insatisfatório.
“O
Exame do Cremesp de 2009 demonstrou, mais uma vez, que há deficiências
na formação dos estudantes em campos essenciais do conhecimento médico,
nos quais há grande demanda de atendimento por parte da população”,
analisa.
Chamou a atenção, em 2009, o baixo índice de acertos em
Clínica Médica (48,45% de acertos), o pior desempenho nessa área desde
que o exame teve início, em 2005.
O Cremesp considera preocupante
também o fraco desempenho dos participantes em áreas como Saúde Mental
(51,20% de acertos), Clínica Cirúrgica (53,69% de acertos) e Pediatria
(57,04% de acertos). No exame deste ano, o desempenho satisfatório
(acima de 60%) ocorreu apenas nas áreas de Saúde Pública, Ginecologia,
Obstetrícia e Bioética.
“Questões que tiveram baixo índice de
acertos podem revelar a falta de conhecimento dos participantes na
solução de problemas frequentes no cotidiano da prática médica. Muitos
daqueles que participaram do Exame do Cremesp de 2009 desconhecem o
diagnóstico ou o tratamento adequado para a solução de problemas de
saúde bastante comuns”, destaca o Cremesp.


