A Fuvest priorizou questões interdisciplinares e temas atuais na prova de ontem, a primeira a incluir todas as matérias do ensino médio na segunda fase. A mudança não foi unanimidade entre os especialistas consultados pela reportagem, que deram diferentes opiniões sobre o grau de dificuldade da prova.

Os professores do Curso e Colégio Objetivo afirmaram que o teste de conhecimentos gerais foi mais difícil que o esperado. "As questões foram mais interpretativas e exigiram mais raciocínio do aluno", diz o professor de história Francisco Alves da Silva.

Para os especialistas do Cursinho da Poli, a mudança não interferiu na dificuldade do teste, que manteve o nível da primeira fase. "As questões foram básicas, da forma que se esperava para uma prova de conhecimentos gerais", afirma o professor de geografia Rui Calaresi.

A unanimidade ficou por conta das questões de matemática, inglês e química, que, segundo os especialistas, tiveram um nível médio, parecido com o da primeira fase.

Para a coordenadora do Curso e Colégio Objetivo, Vera Lúcia da Costa Antunes, a Fuvest surpreendeu por ter conseguido fazer questões interdisciplinares bem construídas. "Haviam anunciado essa mudança para a primeira etapa, mas ela não ocorreu. Já na prova de hoje [ontem], a Fuvest não repetiu sua antiga linha, que era objetiva.

Quando divulgou as alterações no vestibular, em 2009, a Fuvest afirmou que desejava selecionar alunos com conhecimentos em diversas áreas.

O coordenador-geral do Anglo, Nicolau Marmo, criticou a falta de abrangência da prova. "Como um teste pode examinar a formação geral do candidato com apenas três questões por matéria? Eles deveriam ter mantido a primeira fase para a composição da nota final", afirma.

Neste ano, a nota final da Fuvest não computará a primeira fase. O desempenho final será medido pelas três provas da segunda fase, que valem cem pontos cada uma.

Marmo também diz não concordar com os pesos distribuídos entre as matérias. "Para um candidato a uma vaga de medicina em Ribeirão Preto, português vale sete vezes mais do que física. Isso não faz sentido", acrescenta.

Neste ano, a prova de física foi substituída por geografia no teste de conhecimentos específicos para os vestibulandos de medicina em Ribeirão Preto. Em São Paulo, essa mudança não ocorreu.

Abstenção
Ao todo, 2.779 candidatos não foram ao segundo dia de provas da segunda fase da Fuvest. O índice de abstenção foi de 7,39% dos 35.223 convocados.

Amanhã, os convocados farão a última prova discursiva da segunda etapa e enfrentarão 12 questões de conhecimentos específicos, divididas entre duas ou três disciplinas, dependendo da carreira.