Por: Valor Econômico
O Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), maior
programa de crédito universitário do Brasil, passará em breve por
algumas mudanças com o objetivo de atender a um número maior de
estudantes.
A previsão do Ministério da Educação é que o projeto de lei
que trata do assunto seja sancionado nesta semana pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva. Criado pelo governo em 1999, o programa atende
hoje 477 mil alunos, com uma carteira de R$ 5,5 bilhões. De acordo com
Maria Paula Dallari Bucci, secretária de educação superior do
Ministério da Educação (MEC), a expectativa é que as novas regras do
Fies atraiam mais 200 mil alunos só neste ano, consumindo R$ 1 bilhão
em recursos.
A principal alteração deve ficar com a redução da taxa de
juros cobrada, de 6,5% ao ano para 3,5% ao ano. O prazo que os
estudantes têm para pagar o valor devido ao Fies também será ampliado.
Hoje eles podem quitar a dívida em até duas vezes o prazo do curso,
período que será estendido para três.
Quem optar por cursos de
licenciatura e medicina ainda poderá reduzir os juros em 1% da dívida
por mês trabalhando na rede pública de educação básica, para o caso dos
professores, e no programa Saúde da Família, para os médicos. Para as
instituições de ensino, a novidade é que aquelas que aderirem ao Fies
poderão usar o Certificado Financeiro do Tesouro, papel dado à escola
como pagamento das mensalidades, para quitar débitos com a Receita
Federal.
Pela lei em vigor, os títulos só servem para pagar dívidas com
o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Além de atingir escolas e
alunos, a nova regra vai mexer com a forma de distribuição do crédito,
hoje centralizada na Caixa Econômica Federal. Todas as instituições
financeiros estarão autorizadas a repassar o produto, ganhando uma
comissão que pode alcançar 2% sobre o saldo devedor. Com essa mudança,
o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) passará a ser o
agente operador do Fies no lugar da Caixa.
"Queremos que os bancos
conheçam melhor o crédito universitário para motivá-los a criar seus
próprios produtos no longo prazo. Com isso, mais alunos serão
atendidos", diz Maria Paula. Recentemente, o número de contratações
anuais do Fies estava em queda. No ano passado, por exemplo, foram 35
mil, enquanto em 2005 o Fies atingiu 135 mil adesões. Para a secretária
do MEC, ao permitir a ampliação a rede de distribuição para diversos
bancos, os alunos vão acessar o produto de forma mais fácil.