UFSM 2010: Candidatos com deficiência dispõem de condições especiais para fazer as provas
Em uma sala do segundo andar, 18 surdos fizeram as provas com o apoio do computador. Além da versão impressa em português, eles têm acesso a uma prova em DVD, em que uma intérprete traduz as questões para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Esta é a novidade deste ano: cada candidato pode manusear a sua prova livremente, avançando, retrocedendo e revendo as questões como quiser. Dois outros surdos escolheram fazer a prova na versão impressa em português, apenas, e ficaram numa sala separada.
No vestibular 2010, nove deficientes visuais solicitaram prova ampliada, impressa em folha tamanho A3, e um pediu auxílio de um fiscal para ler e responder às questões. A professora Soraia Napoleão Freitas, do Núcleo de Acessibilidade da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), ressalta que tudo o que os candidatos pedirem no momento da inscrição para possibilitar a sua participação no vestibular é atendido pela Comissão Permanente do Vestibular (Coperves) e pela Prograd.
Além dos deficientes sensoriais, dois cadeirantes, e outros estudantes com paralisia cerebral, deficiências físicas decorrentes da poliomielite ou bipolaridade também fizeram a prova ontem e hoje (13/01 e 14/01) em salas adaptadas no CE. Do total de 36 candidatos com condições especiais de acessibilidade, apenas um deles se absteve de realizar a prova desde o primeiro dia do vestibular.
Em comparação com o ano passado, nota-se que em 2010 não foi necessária nenhuma prova em braile, já que nenhum cego se inscreveu no vestibular. Outra situação bastante comum que não se repetiu foi a de vestibulandos internados no hospital fazerem provas.
Para a prova de redação amanhã (15/01), as condições também são especiais. Os deficientes visuais poderão ditar o seu texto ou usar um programa de computador que vocaliza as palavras escritas. Já os surdos têm de escrever sua redação em português, mas a avaliação é adaptada. Além da dupla de corretores que corrige as redações dos candidatos do seu curso, os candidatos cuja primeira língua é Libras têm uma segunda avaliação, que leva em conta que o português não é a língua de uso cotidiano do candidato.
A professora Thais Scotti do Canto-Dorow, da Coperves, afirma que ainda não é possível que os candidatos surdos escrevam em Libras, em razão de uma limitação da universidade que, com o tempo, pretende-se que seja superada.
Os cursos mais procurados pelos candidatos com deficiência física, motora ou sensorial são Educação Física, Engenharia e Artes Visuais.
Andressa Marchezan é deficiente visual e presta vestibular para Direito. Ela fez a prova ampliada e assegura que não teve dificuldades com a adaptação. Andressa relata que nos colégios que frequentou sempre teve condições especiais para estudar. É a primeira vez que a estudante tenta entrar na universidade e, como outros candidatos, acha que a Prova I estava mais fácil que a de hoje.


