Diário Catarinense
O dia de Marina Vieira, 21 anos, começa às 7h. Ela trabalha, faz o
almoço para o pai e o irmão, limpa a cozinha, trabalha de novo, pega
dois ônibus, vai à faculdade, pega mais dois ônibus e volta para casa.
Já são 22h.
A rotina é desgastante. Mas tudo seria bem mais difícil se
não tivesse uma bolsa do Prouni. Marina mora no Bairro Campeche, no Sul
de Florianópolis, com o pai, que ganha um salário mínimo de
aposentadoria. Formada no ensino médio em 2005, ela demorou a conseguir
a bolsa. Em 2006, fez um curso pré-vestibular gratuito na Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC), mas não conseguiu passar.
No ano
seguinte não quis mais esperar e começou a cursar Ciências Contábeis
nas Faculdades Barddal, na Capital: – Eu pagava a faculdade com o meu
salário. Sobrava bem pouco, mas eu economizava ao máximo.
Deixei de
sair com meus amigos, deixei de comprar roupas. Mas não me arrependo.
Nesta época, ela trabalhava no escritório de contabilidade da irmã,
hoje falecida, ao lado de casa, onde continua. Mas em 2007, enquanto
estudava no Barddal, fez o Enem e conseguiu uma bolsa para uma
universidade de São José. – Era muito longe. Eu pegava três ônibus para
ir e três para voltar. Às vezes, chegava em casa já era depois da meia
noite – lembra.
A estudante permaneceu em contato com os coordenadores
do Barddal e, quando a faculdade entrou no programa, ela voltou para um
pouco mais perto de casa. Marina deve se formar no fim do ano.
Pretende
fazer concurso público, em busca de uma carreira mais estável. Fazer um
mestrado também está nos planos dela. – Vale a pena o esforço. Hoje em
dia, quem não tem faculdade terá muita dificuldade para conseguir
emprego. E se não correr atrás, ninguém consegue nada. Sem bolsa eu não
sabia se ia chegar até o fim. Mas eu fui, meti a cara – afirma,
orgulhosa.