Flávia Vaz, 29 anos, comeu muito miojo e bife empanado enquanto estudava e fazia estágio na Univali, em Itajaí. A dificuldade ficou na memória, e a lembrança é de superação. Hoje, ela trabalha com comércio exterior e se prepara para fazer um curso de pós- graduação depois de ter se formado como bolsista do Prouni.

– Hoje, só não estuda quem não quer – opina.

Flávia morava em Marau, pequena cidade no Rio Grande do Sul, e trabalhava em uma loja de móveis e eletrodomésticos. Ela queria ingressar em uma universidade, mas não tinha condições. Até que recebeu uma injeção de ânimo do chefe.

– Quando ouvi falar sobre o Prouni achei que era uma coisa para estudantes recém-saídos do segundo grau. Mas meu chefe me apoiou, disse que eu tinha potencial, e isso foi muito importante para eu correr atrás dos meus objetivos – lembra.

A nota que tirou no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não foi suficiente para conseguir uma vaga em um dos cursos da região. Foi então que ela se inscreveu na Univali e conseguiu a bolsa. Com um amigo, mudou de estado e ingressou, no dia 10 de fevereiro de 2005, na faculdade.

Três dias depois já fazia estágio, ganhando a mesma coisa que recebia em Marau: um salário mínimo.

– O Prouni abriu portas para mim. Além da bolsa, consegui fazer estágio. A biblioteca tinha todos os livros de que eu
precisava e até uma cota para a impressão – recorda.

Um ano antes de se formar, em 23 de janeiro, Flávia conseguiu um emprego. Ela ela é analista de comércio exterior sênior e se prepara para fazer um curso de pós-graduação. Com bolsa? Não. Desta vez, ela pagará.

Flávia também virou uma entusiasta do Prouni. Tanto que o marido, um marceneiro, agora cursa Gestão Ambiental. Quando volta para Marau, ela costuma manter contato com o ex-chefe que a apoiou. Até fez palestra sobre marketing e administração na mesma loja em que trabalhou como vendedora. Sentiu-se realizada.