Por: O Hoje (Cejane Pupulin)
Pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) mostra que 53% dos formandos trabalham em uma profissão distinta
daquela para a qual se prepararam. Este é o caso do jornalista Lucas
Kimachi, de 36 anos. Ele afirma que trabalhou na área de jornalismo,
mas, por causa da questão salarial, preferiu mudar de ramo. Desde março
de 2006, Lucas se dedica ao ramo imobiliário. Atualmente ele é gerente
de vendas de uma imobiliária em Goiânia.
“Trabalhei em
assessoria de imprensa, mas há quatro anos, por convite de amigos para
entrar no ramo de imóveis, mudei de área”, relata. Lucas formou-se em
Jornalismo em 2003 e afirma que não fez um curso específico para o
atual trabalho. “Fiz diversos cursos em outra empresa imobiliária que
trabalhei, como treinamentos”, explica.
O mesmo ocorreu com a
bacharel em Marketing Gabriela Barbosa, de 26 anos. Ela afirma que
durante o curso universitário percebeu que seu perfil não se enquadrava
no mercado. “Às vezes, nem sabia o que podia fazer com a minha
formação”, relata. Gabriela diz que trabalhou na área de vendas e
eventos, mas atualmente está se dedicando aos estudos para concurso
público.
Os microdados do Censo do IBGE analisaram a profissão
de 3,5 milhões de trabalhadores formados em 21 áreas diferentes. Os
pesquisadores descobriram que a maioria deles está hoje numa profissão
distinta daquela para a qual se preparou. A situação varia conforme a
carreira. Em Enfermagem, o índice é de 84%. Já no curso de Geografia, é
de só 1%.
No ano passado, 1.925 estudantes colaram grau pela
Universidade Federal de Goiás (UFG) até o fim do primeiro semestre, em
cerca de cem cursos oferecidos. Esses alunos são oriundos dos todos os
campus da universidade.
Uma das profissões em que mais ocorre
essa migração após a formação é a de engenharia. Pesquisa realizada
pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) confirmou que de
cada 3,5 engenheiros formados no País, apenas um atua em ocupações
típicas da formação. O estudo do Ipea foi motivado pela possibilidade
de não haver número suficiente de engenheiros no Brasil para atender a
demanda que deverá surgir com o crescimento econômico.
Segundo
o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura, Agronomia de Goiás
(Crea) em Goiás, a situação é um pouco diferente no Estado. De acordo
com o assessor técnico da área de educação do Crea, Ariston Alves
Afonso, a realidade goiana é de 2 a 2,5 engenheiros formados para um na
área. Ele complementa que o grande atrativo para a alteração de atuação
são os baixos salários para a classe. “A defasagem salarial é alta,
diferentemente dos médicos, que 90% dos formados trabalham na área.”
Ariston
afirma que grande parte dos formandos que não seguem a carreira vai
para áreas ligadas a concursos, a acadêmicas ou empresarial. “Os
graduados são altamente preparados e conseguem passar em concursos
públicos de alta remuneração”.
O Ipea afirma que a demanda tem
superado o aumento de oferta de mão de obra no mercado. O ponto que
mais preocupa seria a baixa proporção de formados que estão formalmente
empregados em ocupações típicas da profissão, o que geraria um déficit
de profissionais. Caso o Produto Interno Bruto (PIB) fique a 5% ao ano,
em 2015, serão necessários 1,155 milhão de profissionais – número
ligeiramente maior do que o previsto, que é de 1,099 milhão. E, com
crescimento de 7% ao ano, serão necessários 1,462 milhão de
engenheiros.
O Crea-GO acredita que essa falta de mão-de-obra
não afetará o Estado. “Não temos expectativas de déficit. Há muitas
escolas com dois ou três anos de curso em andamento, que lançarão novos
profissionais”, afirma Ariston. Ele complementa que Goiás também tem
muitos estudantes de engenharia em outros Estados e, depois de
formados, retornam. Também há casos de profissionais que migram para o
Estado.