Por: Correio Braziliense Online - Luiza Seixas
Em meio à crise provocada pelo vazamento das provas do Exame Nacional
do Ensino Médio (Enem), o ministro da Educação (MEC), Fernando Haddad,
afirmou publicamente que achava “legítima” a devolução dos R$ 35 pagos
na inscrição do teste.
Ficou garantido o reembolso a todos os
candidatos que não quiseram mais fazer o exame — devido à mudança de
data, à desistência(1) das universidades que
haviam aderido ao Enem como instrumento de ingresso ou simplesmente por
duvidarem da credibilidade da seleção.
Cinco meses depois do comunicado
do ministro, porém, o Instituto Nacional Anísio Teixeira (Inep), ligado
ao MEC, que ficaria responsável pelo ressarcimento, não sabe quantas
pessoas receberão a devolução nem como isso será operacionalizado.
Em
nota divulgada pela assessoria de imprensa, o Inep se restringiu a
dizer que “a área jurídica está contabilizando as solicitações
recebidas e estudando formas de conduzir a questão do ressarcimento de
taxas de inscrição pagas”. A autarquia também minimizou a quantidade de
alunos pagantes: “Apenas pouco mais de um milhão”.
O restante — algo em
torno de 3 milhões — era isento da taxa, por estar concluindo o ensino
médio em escola pública ou ter declarado carência. Do total de
pagantes, 260 mil pessoas, ou quase 25%, não compareceram às provas,
aplicadas em 5 e 6 de dezembro. Amanda Evangelista de Souza, 18 anos,
está entre os estudantes que desistiram do Enem. “Muitas universidades
deixaram de aceitar e a gente ficou duvidando da seriedade do teste”,
explica a garota.
À época estudante do último ano do ensino
médio, Amanda preferiu se preparar para o Programa de Avaliação Seriada
(PAS) da Universidade de Brasília (UnB) — onde pretende cursar
biblioteconomia — a encarar os dois dias de Enem. Hoje aluna de um
cursinho pré-vestibular da cidade, ela considera muito bem-vindo um
eventual ressarcimento da inscrição que pagou pelo Enem.
“Claro que
ajudaria, não é um valor qualquer”, afirma Amanda. Para a garota, o que
mais pesou na hora em que decidiu fazer o Enem, antes da notícia do
vazamento das provas, foi a possibilidade de avaliar a própria
performance. “Queria ver como me sairia em ciências da natureza e
redação, principalmente. Mas depois de toda aquela confusão, os
estudantes ficaram muito inseguros”, destaca.
Escândalo
A
crise deflagrada pelo vazamento das provas do Enem derrubou o então
presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
(Inep), órgão responsável pelo exame, Reynaldo Fernandes. Ele entregou
sua carta de demissão a Haddad em 17 de dezembro passado. Em comunicado
aos funcionários do instituto, Fernandes disse que saía “com o único
objetivo de preservar o Inep”. Fernandes deixou o cargo 12 dias após a
aplicação do Enem, marcado inicialmente para a primeira semana de
outubro e adiado, depois da fraude, para a primeira semana de dezembro.
1 - Retirada
Pelo
menos seis universidades federais no país que haviam aderido ao Enem
para selecionar alunos (como etapa única, primeira etapa ou parte da
nota) desistiram de vincular seus vestibulares ao teste administrado
pelo governo federal. Foram elas: Universidade de São Paulo (USP),
Universidade de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de Ouro Preto
(UFOP), Universidade Federal Fluminense (UFF) Universidade Federal do
Triângulo Mineiro (UFTM) e Universidade Federal de Goiás (UFG). Todas
alegaram que, com o adiamento das provas e o consequente atraso na
divulgação dos resultados, o calendário letivo seria prejudicado.