Por: Correio Braziliense Online - Luiza Seixas
Uma nova lei do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior
(Fies) foi sancionada em janeiro com regras mais brandas para facilitar
o ingresso dos estudantes nas faculdades particulares.
Entre as
determinações do texto estão a redução de 6,5% para 3,5% ao ano da taxa
de juros cobrada e o aumento para três vezes do prazo para a quitação
da dívida. Mas o que teria como objetivo ajudar os estudantes parece
estar, na verdade, prejudicando. Os estudantes afirmam que a Caixa
Econômica, responsável pelo financiamento, não está colocando em
prática o que diz a lei.
A presidenta do Movimento Fies Justo,
Daniela Pellegrini Nóbrega, criticou o fato de a lei ainda não estar
funcionando e a falta de explicação por parte da Caixa Econômica e do
Ministério da Educação. Segundo ela, o prazo dado hoje pela Caixa, de
até duas vezes, não é suficiente para o estudante.
“A Caixa não
tem nenhuma explicação para isso. A gente liga e eles não sabem dizer o
motivo por não ter ampliado ainda o prazo. E o MEC afirma que está
esperando a Caixa entregar os contratos existentes para que eles possam
dar continuidade ao trabalho. Vamos ficar em cima para que essa lei
seja aplicada logo”, afirmou.
Ela criticou também a redução dos
juros, que apesar de já estar sendo aplicada, só vai beneficiar as
pessoas que estão entrando agora no Fies. “Essa nova lei reduz os juros
para todos os contratos, inclusive os antigos. Portanto, deveria ser
retroativa e valer também para as parcelas anteriores a janeiro, ou não
vai ajudar os mais velhos. Esses já estão com o saldo devedor lá em
cima e a redução será muito pouca. Dependendo do contrato, pode reduzir
apenas R$ 70, o que é pouco para, por exemplo, uma parcela de R$ 800”,
explicou Daniela.
Se a lei já estivesse valendo, a solução do
problema da arquiteta Karina D’Agostini já poderia estar com meio
caminho andado. Quando fechou o financiamento com a Caixa, o valor era
de cerca de R$ 40 mil, mas, por causa dos juros, ela deve hoje mais de
R$ 100 mil. “É uma cilada o Fies. Eles dizem que é para ajudar os
estudantes, mas, na verdade, para participar você tem que ser rico.
Cobrar esse valor é algo fora da realidade”, afirmou.
Procurada
pelo Correio, a Caixa Econômica informou não estar ciente do problema e
disse que, no desempenho de seu papel de agente financeiro do Fies,
cumpre integralmente a legislação vigente e toda a regulamentação
definida pelo MEC, gestor do programa. O MEC informou que pretende
colocar o programa totalmente em prática na próxima semana. “Nós
estamos finalizando as condições para abrir o financiamento para quem
desejar. Para implementar a lei dependemos da Caixa e do Banco do
Brasil, mas ainda não conseguimos fechar com elas”, informou a
assessoria.
No papel
O que determina a nova lei do Fies
# Redução da taxa de juros de 6,5% para 3,5% ao ano
# Aumento do prazo para a quitação da dívida para três vezes o período financiado do curso
#
Possibilidade de os formandos em cursos de medicina e licenciatura
abaterem 1% da dívida a cada mês trabalhado, caso optem por trabalhar
na rede pública ou no programa Saúde da Família