Por: Zero Hora - Marcelo Gonzatto e Sílvia Lisboa
Um levantamento divulgado ontem pelo Ministério da Educação demonstrou
que cerca de um terço das vagas das instituições gaúchas de Ensino
Superior que aderiram ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) foram
conquistadas por alunos de fora do Estado. O índice de 29,34% ficou
acima da média nacional e 23 pontos percentuais além do resultado
verificado em São Paulo – Estado em que os candidatos nativos marcaram
maior presença.
Os gaúchos tiveram o 13º maior índice nacional
de vagas obtidas por estudantes que migraram de outras regiões graças à
nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Cinco instituições
aderiram à nova modalidade de acesso ao Ensino Superior: as
universidades federais de Pelotas (UFPel), do Pampa (UniPampa) e de
Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), e os institutos federais de
educação, ciência e tecnologia de Farroupilha e do Rio Grande do Sul.
Até
então, a média nacional da chamada mobilidade estudantil – percentual
de alunos distantes de seu
estado de origem –
ficava ao redor de 1%. No Rio Grande do Sul, a novidade significou
multiplicar esse universo de estudantes quase 30 vezes. Em São Paulo,
Estado que acumula o maior número de horas de aula por ano no país na
Educação Básica e costuma figurar nas primeiras colocações nas
avaliações de qualidade do ensino, a proporção foi bem menor. Para o
professor Gustavo Reis, porém, a explicação para a diferença de
desempenho pode estar no perfil das vagas oferecidas por meio do Sisu:
–
O Rio Grande do Sul contou com mais instituições que ofereceram vagas
por meio da nota no Enem, incluindo universidades de ponta como a
UFCSPA. Isso atrai número maior de interessados de outros lugares.
Conforme
o MEC, até o final da terceira etapa do Sisu, quando 33.039 estudantes
já haviam se matriculado, 8.353 optaram por estudar fora de seu estado
de origem, o que resultou na taxa de mobilidade de 25%. Para auxiliar as
instituições a implementar programas de assistência para receber os
estudantes,
o governo ampliou os
recursos do Plano Nacional de Assistência Estudantil de R$ 126 milhões
para R$ 300 milhões em 2010.